Uma publicação que circula nas redes sociais e um livro recentemente lançado na internet estão disseminando informações falsas sobre a segurança e eficácia das vacinas contra a covid-19. As alegações incluem desde supostas falhas nos ensaios clínicos da Pfizer até a criação de uma nova doença associada à vacinação, chamada "Doença CoVax" – um termo inexistente na literatura científica. Especialistas alertam que tais conteúdos distorcem dados, geram medo e podem comprometer a adesão à imunização, colocando em risco a saúde pública.
O que está sendo divulgado?
O vídeo, publicado no Instagram, já acumula milhares de visualizações e curtidas, promovendo um livro que afirma, sem embasamento científico, que a vacina da Pfizer não é segura nem eficaz. O material alega que a farmacêutica e órgãos reguladores tinham conhecimento de supostos riscos da vacina e que o grupo placebo dos ensaios clínicos foi eliminado de maneira irregular. Também há declarações alarmistas sobre eventos adversos, como miocardite e infertilidade, sem respaldo em estudos sérios.
As evidências científicas desmentem as alegações
Pesquisadores e órgãos de saúde de todo o mundo, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), reforçam que as vacinas COVID-19 são seguras e eficazes. Os imunizantes passaram por rigorosos ensaios clínicos e continuam sendo monitorados em programas de farmacovigilância pós-comercialização globalmente, incluindo a vigilância de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVI) realizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Brasil.
Veja abaixo algumas narrativas enganosas sobre o tema:
1. FALSO: A Pfizer sabia que sua vacina não era segura nem eficaz.
A vacina da Pfizer passou por todas as etapas exigidas para aprovação. Dados de estudos de fase III, conduzidos com mais de 43 mil participantes, mostraram que o imunizante teve alta eficácia na prevenção de casos graves da doença. Os ensaios clínicos e o monitoramento pós-aprovação indicam que os eventos adversos são raros e a relação risco-benefício é amplamente favorável.
2. FALSO: O grupo placebo foi eliminado para esconder efeitos adversos.
A vacinação dos participantes do grupo placebo seguiu práticas éticas recomendadas. Quando um ensaio clínico comprova que uma vacina é altamente eficaz, torna-se antiético manter voluntários sem acesso ao imunizante. Isso não impede o monitoramento contínuo da segurança da vacina por meio de sistemas de vigilância epidemiológica e farmacovigilância pós-comercialização, como o realizado pelo PNI.
3. FALSO: As vacinas de mRNA causam danos irreversíveis ao organismo.
Não há evidências científicas que sustentem essa afirmação. Estudos publicados por órgãos reguladores e instituições de pesquisa demonstram que as vacinas não afetam o DNA, não causam infertilidade e não provocam danos generalizados ao corpo humano.
4. FALSO: A miocardite induzida pela vacina é grave e comum.
A miocardite pós-vacinação é extremamente rara e, quando ocorre, tende a ser leve e de rápida recuperação. Já a covid-19 aumenta significativamente o risco de complicações cardíacas graves, incluindo miocardite severa. Portanto, a vacinação reduz esse risco.
5. FALSO: A vacina criou uma nova doença chamada "Doença CoVax".
Esse termo não existe em nenhuma publicação científica revisada por pares. Nenhuma agência reguladora ou instituição de pesquisa reconhece essa suposta condição. Trata-se de uma narrativa infundada para desestimular a vacinação.
O impacto da desinformação na saúde pública
A disseminação de Fake News sobre vacinas compromete a adesão à imunização e expõe a população a riscos desnecessários. A hesitação vacinal já resultou na queda das coberturas vacinais e no retorno de doenças eliminadas, como o sarampo em algumas regiões. Especialistas alertam que combater a desinformação é fundamental para proteger a saúde coletiva.
Onde buscar informações confiáveis?
Para evitar ser vítima de fake news, recomenda-se buscar informações em fontes oficiais e científicas, como:
Organização Mundial da Saúde (OMS) – Monitoramento global de vacinas
Vacinar é proteger vidas
As vacinas são uma das principais ferramentas da saúde pública para evitar mortes e internações. Se você tem dúvidas, consulte um profissional de saúde e confie na ciência. Não deixe que a desinformação coloque sua vida e a de sua família em risco.