CINEAMAZÔNIA: Telas substituem fronteiras e aproximam estudantes da própria Amazônia

Escola Estadual Carlos Drummond de Andrade, em Candeias do Jamari, recebeu na última sexta-feira (7) o encerramento da programação da 19ª edição do CINEAMAZÔNIA

CINEAMAZÔNIA: Telas substituem fronteiras e aproximam estudantes da própria Amazônia

Foto: Assessoria

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Em um município que ainda enfrenta importantes desafios na educação, a tela do cinema se transformou em uma janela para novos horizontes. A Escola Estadual Carlos Drummond de Andrade, em Candeias do Jamari, recebeu na última sexta-feira (7) o encerramento da programação da 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental, levando aos estudantes produções audiovisuais feitas em Rondônia e promovendo experiências que uniram cultura, educação e formação cidadã.
 
Com pouco mais de 24 mil habitantes, Candeias do Jamari está localizada a cerca de 20 quilômetros de Porto Velho e integra a Região Metropolitana da capital. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, a educação segue sendo um dos principais desafios do município, realidade compartilhada por diversas cidades da Amazônia. Foi nesse contexto que o CINEAMAZÔNIA chegou à escola, aproximando os estudantes de histórias produzidas por cineastas da região e mostrando que a cultura também pode ser uma ferramenta de transformação.
 
Ao longo do dia, os alunos assistiram a produções que abordaram temas como racismo, memória, envelhecimento, pertencimento, relações familiares e preservação da história amazônica.
 
 
Educação construída passo a passo
 
Para a chefe pedagógica da escola, Márcia Fernandes, iniciativas como o CINEAMAZÔNIA ajudam a ampliar o repertório dos estudantes e a democratizar o acesso à cultura. “Uma grande maioria dos nossos alunos não tem acesso ao cinema. Quando vocês trazem toda essa estrutura para dentro da escola, oportunizam um conhecimento diversificado e enriquecem muito a formação deles. É uma experiência que amplia horizontes e contribui para várias áreas do conhecimento”, destacou.
 
A educadora também ressaltou os avanços recentes da instituição. Segundo ela, a escola conseguiu reverter um cenário preocupante nos indicadores educacionais e alcançar uma importante evolução no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). “Houve um trabalho árduo de três anos para conseguirmos a participação dos estudantes e melhorar nossos resultados. Saímos de uma nota 0,0 para uma nota 4,0. Para nós, isso é uma vitória. Educação é construída tijolinho por tijolinho, com compromisso, dedicação e participação de todos”, afirmou.
 
 
Filmes que dialogam com a vida
 
Entre as produções exibidas, uma das que mais emocionou os estudantes foi A Caixa de Lucinda, ficção dirigida por Negra Mari. O filme acompanha a trajetória de uma mulher idosa que revisita memórias, sonhos interrompidos e afetos esquecidos, provocando reflexões sobre envelhecimento, abandono e dignidade.
 
A estudante Gabriela Santos Gonzaga, de 17 anos, contou que a história foi a que mais a marcou. “Gostei muito porque mostra uma realidade que muitas mulheres viveram e algumas ainda vivem. Muitas não tiveram oportunidade de escolher seus caminhos ou realizar seus sonhos. O final me emocionou bastante, principalmente pela forma como os filhos lidam com a história dela”, relatou.
 
Para Gabriela, o contato com produções feitas em Rondônia foi uma descoberta. “Eu não conhecia o projeto e achei muito interessante. A gente acaba não conhecendo o que é produzido aqui no estado. Foi uma oportunidade de aprender mais sobre a nossa cultura.”
 
O estudante Hugo Gabriel, também de 17 anos, compartilha da mesma percepção. Para ele, o cinema regional aproxima os jovens da própria realidade. “Faz uma diferença enorme. Mostra o que realmente acontece aqui em Rondônia e ajuda a incluir o estado dentro do mundo cinematográfico. Acho que isso pode inspirar muitos alunos que ainda estão descobrindo o que querem fazer no futuro”, afirmou.
 
Para o diretor do CINEAMAZÔNIA, Jurandir Costa, “em uma cidade que busca fortalecer seus indicadores educacionais e ampliar oportunidades para a juventude, o encontro entre cinema e escola mostrou que a educação também pode acontecer através das imagens, da arte e da imaginação”, destacou.
 
A 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental é realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Cultura (FEDEC), por meio da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL), do Estado de Rondônia.
 
Apoio: Cinemateca Brasileira; Sociedade Amigos da Cinemateca; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); LUCA – Laboratório Universitário de Cinema e Audiovisual; Programa de Pós-Graduação em Comunicação; Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
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