A Prefeitura de Rolim de Moura publicou no Diário Oficial dos Municípios (Arom) desta quinta-feira (23), o decreto nº 7.067/2026, que destina formalmente uma área pública municipal para o uso e exploração exclusiva da concessionária Águas de Rolim de Moura, empresa pertencente ao grupo Aegea. A medida, que cede um terreno de 42 metros quadrados no bairro Bom Jardim para a perfuração de um poço tubular artesiano e a instalação de um reservatório, ocorre no momento em que a população lida com o recente encarecimento das contas de água e esgoto.
O documento justifica a entrega do patrimônio público à iniciativa privada como uma medida solicitada pela Agência Reguladora do Município (Agerom) para ampliar a capacidade de produção e mitigar os riscos de escassez hídrica na cidade. O decreto prevê que as despesas da obra fiquem a cargo da concessionária e que, extinta a concessão, a posse retorne ao município.
Aumento na conta
A cessão do espaço para a expansão estrutural contrasta com o custo repassado ao consumidor. Recentemente, a mesma agência reguladora autorizou um reajuste automático de 5,19% nas tarifas da concessionária, elevando o valor referencial da água para R$ 6,90 por metro cúbico. Enquanto as faturas ficam mais caras para o cidadão, a empresa veicula informes publicitários celebrando nove anos de atuação no município, alegando ter investido R$ 66 milhões e atingido 100% de cobertura de rede de água na área urbana.
Na teoria, a Cartilha do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Rolim de Moura prevê que a universalização dos serviços deve promover a saúde e garantir água de qualidade aos cidadãos. Na prática, no entanto, a operação do grupo Aegea no estado enfrenta queixas sobre a eficiência do serviço prestado.
Como noticiou o
Rondoniaovivo, em municípios vizinhos geridos pela mesma companhia, como Ariquemes, moradores acumulam denúncias e vídeos mostrando água barrenta e imprópria para consumo saindo das torneiras.
Corrupção
Além das críticas operacionais, o avanço da concessionária sobre o saneamento de Rolim de Moura e do interior de Rondônia esbarra em um escândalo criminal. Executivos da Aegea confessaram, em delação homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a operação de um esquema que movimentou cerca de R$ 63 milhões em propinas entre os anos de 2010 e 2018.
Os recursos ilícitos serviram para subornar políticos e agentes públicos com o objetivo de obter facilidades e garantir a manutenção dos contratos de concessão em municípios de outros estados, e também em Rondônia.