O integrante do Conselho Estadual de Saúde de Rondônia, Raimundo Nonato Soares, contestou declarações do prefeito de Vilhena sobre o financiamento da saúde pública e afirmou que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, é responsável por uma parcela expressiva do custeio dos serviços oferecidos no município, incluindo o Hospital Regional.
Com base em dados do Fundo Nacional de Saúde, o conselheiro informou que, entre janeiro e julho de 2026, o Fundo Municipal de Saúde de Vilhena recebeu R$ 61.253.355,56 em transferências líquidas da União para manutenção e fortalecimento da rede pública.
Segundo Raimundo Nonato, os recursos contemplam o financiamento da Média e Alta Complexidade (MAC), principal fonte de custeio dos atendimentos hospitalares, além da Atenção Primária, assistência farmacêutica, vigilância em saúde, Estratégia Saúde da Família, agentes comunitários, equipes multiprofissionais, saúde bucal e o complemento do piso nacional da enfermagem.
Somente pelo teto MAC, responsável pelo financiamento dos procedimentos de média e alta complexidade, o município recebeu aproximadamente R$ 2,97 milhões por mês, totalizando mais de R$ 20 milhões no período.
O conselheiro também destacou os repasses extraordinários destinados ao fortalecimento da assistência hospitalar, entre eles R$ 3,3 milhões em fevereiro, R$ 3,98 milhões em abril, R$ 3,3 milhões em maio e R$ 6 milhões em junho, além de um aporte de R$ 10 milhões para a Atenção Primária e outro de R$ 2 milhões para a mesma finalidade.
Para Raimundo Nonato, os números demonstram que o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) é compartilhado entre União, Estados e municípios, conforme estabelece a Constituição.
"O Governo Federal participa de forma decisiva do financiamento da saúde em Vilhena. Os dados oficiais mostram que milhões de reais chegam todos os meses ao município para manter os serviços funcionando. Não se pode desconsiderar essa participação", afirmou.
Ele ressaltou que Estado e Município também possuem responsabilidades constitucionais no financiamento da saúde, mas defendeu que a população seja informada corretamente sobre a origem dos recursos.
"É importante que a sociedade saiba que o atendimento prestado pelo SUS é sustentado por recursos das três esferas de governo. Quando se omite a participação do Ministério da Saúde, passa-se uma impressão que não corresponde aos dados oficiais", concluiu.