A área urbanizada em favelas e comunidades urbanas no Brasil cresceu 152% entre 1985 e 2025, passando de 60,2 mil para 151,7 mil hectares. No mesmo período, a disponibilidade de vegetação por hectare urbanizado caiu 34% nesses territórios. Os dados são da Coleção 11 do MapBiomas, que também aponta aumento de 132% da área urbanizada em todo o país.
O levantamento identificou 12,3 mil favelas distribuídas em 651 municípios. Cerca de 60% da área urbanizada existente nesses territórios em 2025 surgiu depois de 1985. Além disso, 42,4% das favelas já existentes naquele ano pelo menos dobraram de tamanho.
A expansão também ocorreu com perda de vegetação. Em 77,6% das favelas, houve redução de pelo menos 10% da cobertura vegetal intraurbana e periurbana. Em 2025, a disponibilidade de vegetação por hectare urbanizado nas favelas era 15% menor que nas demais áreas urbanas.
Rondônia tem 74 favelas; Porto Velho concentra 68
Em Rondônia, os dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE identificaram 74 favelas e comunidades urbanas, onde vivem 83.295 pessoas, o equivalente a 5,3% da população estadual.
A concentração está em Porto Velho, que reúne 68 dessas comunidades. Na capital, aproximadamente 17,3% dos moradores vivem nesses territórios, evidenciando os desafios relacionados à habitação, infraestrutura urbana, saneamento e acesso a serviços públicos.
Os números do IBGE mostram que a questão habitacional também exige atenção na Região Norte, que reúne 27,9% de toda a área urbanizada em favelas do Brasil, apesar de concentrar apenas 9,4% da área urbanizada nacional.
Menos vegetação, mais calor e riscos ambientais
O MapBiomas identificou relação entre baixa cobertura vegetal e maior intensidade das ilhas de calor. Em áreas urbanas com até 10% de vegetação, a diferença média de temperatura da superfície chega a 5 °C durante o verão.
Outro alerta envolve a ocupação de áreas suscetíveis a desastres. Entre 1985 e 2025, a área urbanizada em favelas localizada em zonas de alta suscetibilidade a inundações cresceu 117%. Nas áreas sujeitas a deslizamentos, o aumento foi de 12%.
O levantamento também constatou que a vegetação urbana total diminuiu 35,9% no Brasil em quatro décadas. Em 2025, pela primeira vez na série histórica, a área urbanizada sem vegetação superou a cobertura vegetal urbana.
Os dados reforçam os desafios do planejamento urbano, especialmente em relação à preservação ambiental, à infraestrutura, à habitação e à adaptação das cidades às mudanças climáticas.