CARRETAS NA PISTA: BR-364 mantém sequência de acidentes fatais e reacende debate sobre fiscalização

Parte dos acidentes envolvendo veículos de carga pode estar relacionada à combinação de fatores como fadiga dos motoristas

CARRETAS NA PISTA: BR-364 mantém sequência de acidentes fatais e reacende debate sobre fiscalização

Foto: Reprodução

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A BR-364, principal corredor logístico de Rondônia e rota estratégica para o escoamento da soja produzida na região Norte e Centro-Oeste, voltou a registrar uma sequência de acidentes graves e fatais nesta semana. As ocorrências reacenderam o debate sobre excesso de jornadas de caminhoneiros, fiscalização precária, excesso de peso em carretas e condições de segurança na rodovia.

Somente entre os dias 11 e 15 de maio de 2026, ao menos três acidentes de grande impacto foram registrados em diferentes trechos da rodovia federal.

 

Jovem morreu após colisão frontal em Jaru

 

Na segunda-feira (11), a jovem Katrini Stefani Carmo, de 22 anos, morreu após uma colisão frontal entre o veículo que dirigia e uma carreta no km 429 da BR-364, em Jaru, próximo à entrada do aeroporto do IG.

 

O acidente voltou a chamar atenção para o intenso fluxo de veículos pesados na rodovia, inclusive a noite, especialmente durante o período de transporte da safra de soja.

 

Caminhoneiro morreu carbonizado após batida entre carretas

 

Já na quinta-feira (14), um grave acidente entre duas carretas terminou com a morte do caminhoneiro Valdenir das Neves, morador de Rolim de Moura. A colisão ocorreu entre Presidente Médici e Cacoal, nas proximidades da Casa da Uva, no trecho entre a entrada de Rolim de Moura e Presidente Médici.

 

Com o impacto, os veículos pegaram fogo e o incêndio tomou grandes proporções. O caminhoneiro morreu no local.

 

Motociclista ficou ferido em Porto Velho

 

Na sexta-feira (15), um motociclista sem habilitação ficou ferido após uma colisão com um carro no perímetro urbano da BR-364, em Porto Velho.

 

Apesar de não ter sido fatal, o acidente reforça o cenário de insegurança constante ao longo da rodovia, que mistura tráfego pesado de carretas, veículos urbanos e motocicletas em trechos críticos.

 

Corredor da soja concentra tráfego pesado

 

A BR-364 é considerada uma das principais rotas de exportação de grãos da Região Norte, ligando Rondônia aos portos e centros de distribuição. Durante períodos de safra, o fluxo intenso de carretas aumenta significativamente, sobretudo no transporte de soja.

 

Motoristas que utilizam a rodovia frequentemente relatam longas filas de caminhões, ultrapassagens perigosas, desgaste do pavimento e dificuldades de fiscalização em trechos extensos da estrada.

 

Debate sobre jornadas exaustivas e excesso de peso

 

Parte dos acidentes envolvendo veículos de carga pode estar relacionada à combinação de fatores como fadiga dos motoristas, jornadas prolongadas, pressão por entrega rápida e excesso de peso transportado.

 

Embora existam regras para controle de descanso dos caminhoneiros, limite de carga e fiscalização eletrônica, usuários da rodovia afirmam que a aplicação ainda é insuficiente diante do volume de tráfego pesado noturno na BR-364.

 

Outro ponto frequentemente citado é a necessidade de ampliação da estrutura de fiscalização, incluindo balanças de pesagem, monitoramento eletrônico e áreas adequadas de parada para descanso.

 

A BR-364 em Rondônia deverá receber melhorias estruturais após a concessão da rodovia, incluindo a implantação de três Pontos de Parada e Descanso (PPDs) previstos no projeto Rota do Agro Norte. Os espaços serão voltados ao descanso seguro de caminhoneiros, com estrutura moderna, internet e áreas adequadas para pernoite, numa tentativa de reduzir acidentes ligados ao cansaço e às longas jornadas.

 

Enquanto isso, os motoristas dependem principalmente de postos de combustíveis e restaurantes localizados em cidades cortadas pela rodovia, como Porto Velho, Ariquemes, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Pimenta Bueno e Vilhena.

 

Rodovia acumula histórico de tragédias

 

Nos últimos anos, a BR-364 se consolidou como uma das rodovias com maior número de acidentes graves em Rondônia, especialmente em trechos de pista simples e regiões de intenso tráfego de carretas.

 

Enquanto o agronegócio amplia a movimentação econômica no estado, cresce também a pressão por investimentos em duplicação, manutenção da via e reforço das ações de segurança para reduzir o número de mortes.  A fiscalização noturna e o controle de peso das cargas com balanças oficiais são vistos como prioridades para evitar mortes com acidentes.

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