Pesquisadores do Centro Universitário FEI e da Universidade Federal de São Paulo desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial capaz de identificar o nível de dor em recém-nascidos internados em unidades de terapia intensiva neonatal.
A tecnologia utiliza modelos multimodais de linguagem e visão para analisar expressões faciais dos bebês, reduzindo a subjetividade das avaliações feitas por profissionais de saúde. O estudo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, foi publicado na revista Pediatric Research.
Segundo a pediatra neonatal Ruth Guinsburg, da Unifesp, a dor em recém-nascidos é difícil de medir porque os bebês não conseguem se comunicar verbalmente, fazendo com que médicos e enfermeiros dependam da observação clínica, muitas vezes subjetiva.
O sistema demonstrou desempenho superior a métodos tradicionais de deep learning e pode ampliar o apoio às decisões médicas. Em UTIs neonatais, um bebê pode ser submetido a até 13 procedimentos dolorosos por dia, como punções, cirurgias e intubações.
A expectativa dos pesquisadores é que, no futuro, a tecnologia funcione como um monitor de dor em tempo real, auxiliando equipes médicas a ajustar o uso de analgésicos e melhorar o cuidado com recém-nascidos.