Com perspectiva para ser iniciado no mês de junho o Projeto Raízes do Amanhã nasce com a meta de promover a recuperação e restauração de 200 hectares de áreas alteradas e degradadas com minimização de passivos ambientais e fomento às atividades produtivas em propriedades rurais localizadas em Projetos de Assentamento dos municípios de Porto Velho e Candeias do Jamari, no Estado de Rondônia.
A proposta, apresentada no contexto da seleção pública do Edital 001/2025 – Agricultura Regenerativa é uma iniciativa do Fundo Ambiental da Caixa Econômica e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, busca não apenas restaurar áreas degradadas, mas também criar bases para a geração de renda no campo, com incentivo à formação de polos frutíferos, fortalecimento da segurança alimentar e ampliação das condições de permanência produtiva das famílias assentadas.
A estratégia inclui assistência técnica continuada, elaboração de plano de restauração individualizado por propriedade, aquisição de mudas e insumos, plantio escalonado e ações de formação continuada sustentável.
Adesão do INCRA
Nesta quinta feira (09) ocorreu um marco importante no desenvolvimento das etapas que antecedem a execução do projeto que foi a manifestação oficial formalizada por meio do Ofício nº 32763/2026/SR(17)RO-G/SR(17)RO/INCRA-INCRA, assinado pelo superintendente regional Luis Flávio Carvalho Ribeiro, no qual o órgão declara que não se opõe à execução do projeto nos assentamentos PA Aliança e PA Rio Madeira, em Porto Velho, e PA Paraíso das Acácias, em Candeias do Jamari.
Mais que não se opor, a adesão institucional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) ao projeto Raízes do Amanhã representa um passo importante para o fortalecimento da recuperação ambiental e da agricultura familiar em áreas de assentamento de Rondônia.
O Superintendente, disponibilizou toda a capacidade operacional do INCRA para acompanhar, quando pertinente, os procedimentos relacionados à implementação do projeto, especialmente no diálogo com beneficiários da reforma agrária e na observância das normas aplicáveis às áreas de assentamento.
Ao mesmo tempo, o órgão ressalta que essa anuência não implica aporte de recursos financeiros, assistência técnica direta nem responsabilidade operacional pela execução, que seguirá sob responsabilidade da entidade proponente e dos parceiros envolvidos, registrando que o INCRA reconhece a relevância da iniciativa para a recuperação ambiental, o fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável.
Raízes do Amanhã
Apresentado pela Organização Raiz Nativa (O.R.N.), presidida por Elias Correa Alves, o Projeto Raízes do Amanhã prevê a recuperação de 200 hectares de áreas alteradas ou degradadas, com a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e a distribuição de 100 mil mudas, sendo 80 mil frutíferas e 20 mil nativas. O projeto foi estruturado para atender 200 beneficiários diretos e cerca de 1.000 indiretos, com execução prevista entre 1 de junho de 2026 e 31 de maio de 2028.
Em manifestação alinhada ao conteúdo do ofício oficial, o superintendente Luis Flávio, destacou que a autarquia reconhece a importância da proposta para os assentamentos beneficiados. “O INCRA não se opõe à execução do Projeto Raízes do Amanhã e manifesta apoio institucional à iniciativa, reconhecendo sua relevância para a recuperação ambiental, o fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável”, enfatizando Flávio.
Para o presidente da Organização Raiz Nativa, Elias Correa Alves, a anuência do INCRA reforça a legitimidade e o alcance social da proposta. “Essa adesão institucional fortalece o projeto e demonstra que estamos construindo uma iniciativa séria, voltada à recuperação das áreas degradadas e à melhoria das condições de vida das famílias assentadas. O Raízes do Amanhã nasce com o compromisso de unir preservação ambiental, produção sustentável e dignidade no campo”, disse Elias.
Na avaliação técnica da equipe envolvida, a implantação dos sistemas agroflorestais poderá contribuir para transformar passivos ambientais em áreas produtivas, com reflexos diretos na economia rural local. “O projeto foi estruturado para recuperar áreas degradadas com base em critérios técnicos, respeitando a realidade dos assentamentos e promovendo soluções que conciliam restauração ecológica, produção de alimentos e sustentabilidade econômica”, afirma a técnica do INCRA e engenheira Florestal Janaina de Oliveira Birimba.
A proposta também dialoga com políticas públicas de proteção da floresta em assentamentos, partindo do diagnóstico de que áreas da reforma agrária na Amazônia precisam de ações focalizadas de recuperação e uso sustentável da terra. Nesse contexto, o Raízes do Amanhã se apresenta como uma iniciativa com potencial de impacto ambiental, produtivo e social, articulando conservação, apoio à agricultura familiar e organização comunitária em territórios historicamente marcados por degradação e ocupação desordenada.
Polos Frutíferos
Além do plantio e da restauração das áreas, o projeto aponta para a formação de polos frutíferos, incentivo à produção de alimentos e fortalecimento da cadeia produtiva local com segurança alimentar.
A proposta também destaca que a recuperação das áreas poderá contribuir para reconectar fragmentos ambientais, ampliar a cobertura vegetal e apoiar a regularização ambiental da agricultura familiar nas áreas de assentamento.
Com a anuência institucional do INCRA, o Projeto Raízes do Amanhã ganha um reforço político e técnico importante para avançar em sua implementação. A expectativa é que a iniciativa se consolide como uma referência regional na articulação entre reforma agrária, restauração ambiental e desenvolvimento rural sustentável.
Um dos eixos mais estratégicos é justamente a implantação de polos frutíferos, com espécies como cacau, açaí, acerola e graviola, associando restauração ambiental à formação de uma base produtiva com potencial de comercialização.
Os polos frutíferos não foram pensados apenas para a venda do fruto in natura. Eles devem criar condições para promoção futura da agregação de valor à produção familiar por meio do processamento, especialmente com a formação de uma cadeia produtiva de polpas de frutas.
No futuro, próximo, ainda será permitido aos assentados, busca de recursos para implementar o processamento em polpas, doces, geleias e outros derivados amplia o tempo de conservação dos produtos, reduzindo perdas pós-colheita, melhorando a logística de comercialização e fortalecendo a circulação econômica local.
Segurança Alimentar
Na frente específica de segurança alimentar, o projeto prevê a etapa de Formação Continuada Sustentável, com foco na futura implantação de 3 polos frutíferos e na melhoria da qualidade da produção, da pós-colheita, do processamento e da comercialização.
Essa ação inclui orientação, desde a colheita até o consumo, com conteúdo sobre boas práticas agropecuárias, boas práticas de fabricação, armazenamento, transporte, manipulação, conservação, autoconsumo e aproveitamento do excedente para comercialização local, além de educação alimentar e nutricional.
Segundo a Nutricionista e técnica da Raiz Nativa Geina Piza, a presença dos técnicos da Raiz Nativa ganha papel estratégico, não apenas na atuação das ações de reflorestamento, mas também na construção de uma base produtiva segura, organizada e capaz de melhorar a alimentação das famílias e ampliar sua renda no campo. “Iremos fortalecer o autoconsumo, orientar o excedente para comercialização e incentivar a agroindustrialização artesanal, especialmente por meio da produção de polpas, geleias e doces futuramente produzidos com segurança alimentar”, enfatizou a técnica.