A cajuína, bebida não alcoólica à base de caju, tem origens que antecedem sua versão industrializada. Registros históricos indicam que povos indígenas já produziam uma bebida derivada do fruto, conhecida como “Cim”, utilizada de forma rudimentar e integrada à cultura alimentar local.
No início do século XX, o farmacêutico e escritor Rodolfo Teófilo desenvolveu uma versão aprimorada da bebida. Por volta de 1900, ele aplicou métodos científicos de clarificação e conservação, incluindo o uso de goma do cajueiro e processos térmicos de esterilização, aumentando a estabilidade e a durabilidade do produto.
A iniciativa tinha também motivação social. Teófilo buscava oferecer uma alternativa ao consumo de álcool, problema recorrente na época, especialmente em regiões urbanas do Nordeste.
Além de sua atuação na área farmacêutica, Teófilo foi um dos nomes relevantes da literatura regional-naturalista no Brasil. Nascido em Salvador, em 1853, construiu sua trajetória no Ceará, onde ganhou reconhecimento por sua atuação intelectual e por ações de impacto social, como campanhas de vacinação e combate a epidemias.
Apesar da contribuição técnica, a cajuína como hoje é reconhecida — especialmente a versão clarificada e sem fermentação — consolidou-se como patrimônio cultural do Piauí. O estado desenvolveu métodos próprios de produção e identidade em torno da bebida, que ultrapassam a intervenção inicial de Teófilo.
Na prática, isso estabelece uma distinção importante: enquanto o farmacêutico teve papel relevante na aplicação de técnicas de produção, a cajuína tradicional, especialmente a piauiense, resulta de um processo histórico mais amplo, enraizado na cultura regional e aperfeiçoado ao longo do tempo.