DESTRUIÇÃO: Porto Velho é a terceira cidade que mais libera carbono no país

Levantamento reúne dados de 2019, baseado em números do Governo Federal

DESTRUIÇÃO: Porto Velho é a terceira cidade que mais libera carbono no país

Foto: Porto Velho emite mais carbono do que São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus - Divulgação

Segundo números do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) divulgados nesta segunda-feira (13), Porto Velho é a terceira cidade do país que mais emite gases do efeito estufa, os causadores do aquecimento global. O município rondoniense fica mais bem colocado, por exemplo, do que São Paulo e Rio de Janeiro.

 

Dos 10 mais, oito estão na Amazônia. Os dados são referentes ao ano de 2019, estimativa mais recente disponível para o país.

 

Além da capital de Rondônia, o topo da lista conta com duas cidades paraenses: Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA) que lideram entre os 5.570 municípios brasileiros.

 

Todas as oito cidades da Amazônia estão no topo da lista pelo mesmo motivo: desmatamento. A região Norte representa 60% de todo o carbono liberado no país.

 

Municípios e emissões de gases do efeito estufa (dados em milhões de toneladas de CO2e):

 

Altamira (PA) – 35,2

São Félix do Xingu (PA) – 28, 9

Porto Velho – 23,3

Lábrea (AM) – 23,2

São Paulo – 16,6

Pacajá (PA) – 16,2

Novo Progresso (PA) – 14,9

Rio de Janeiro – 13,8

Colniza (MT) – 13,5

Apuí (AM) – 12,5

Novo Repartimento (PA) – 11,9

 

 

Detalhes

 

Entre as 35,2 milhões toneladas de CO2e (unidade de medida que reúne todos os gases, do carbônico ao metano) emitidas por Altamira, 33,4 milhões estavam relacionadas com o desmatamento.

 

A cidade paraense tem população estimada em 117 mil habitantes, ou seja, é quase 100 vezes menos populosa do que a cidade de São Paulo, mas contabiliza o dobro das emissões.

 

Se Altamira fosse um país, estaria no 108º lugar no mundo em emissões de gases de efeito estufa, atrás da Suécia e da Noruega. Em 2019, ano da estimativa do SEEG, Altamira foi a líder em desmatamento da Amazônia, com 575 km² de floresta perdidos, e também vice-líder em queimadas, com 3,8 mil focos de calor detectados, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

 

A estimativa por município feita pelo SEEG, projeto do Observatório do Clima, organização com mais de 70 representantes da sociedade civil, é gerada segundo as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) com base nos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI).

 

 

Desmatamento libera carbono?

 

Quando qualquer árvore morre, seja por decomposição ou por queima, ela emite carbono. Para os dados do SEEG, a unidade de medida é a tonelada de CO2, mas a floresta derrubada também emite outros gases: o metano (CH4), que equivale a 25 toneladas de CO2; e o óxido nitroso (N2O), que equivale a 270 toneladas.

 

"Se a floresta tem 200 toneladas de carbono vivas, e essas 200 toneladas vão oxidando depois do desmate, o carbono vira CO2 e, se está em condições anaeróbicas (sem oxigênio), pode até virar metano", explica Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.

 

É por isso que os municípios da Amazônia apresentam dados altíssimos de emissões por habitante — eles têm poucos moradores, mas muito desmate.

 

Novo Progresso, que registrou o Dia do Fogo em 2019, uma ação coordenada por fazendeiros, empresários e produtores rurais para queimar áreas protegidas próximas à BR-163, tem o maior índice per capita do país: são 580 toneladas de CO2 por ano. A média global anual é de 7 toneladas de CO2e por habitante.

 

Ou seja: em Novo Progresso, se o dado representasse de fato as emissões das pessoas, e não o desmatamento da região, seria como se cada cidadão estivesse dirigindo, todos os dias, mais de 500 carros por um trajeto 20 km.

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