Resolvi testar a popularidade do prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT), entre moradores da minha rua.
Para uma administração atolada em denúncias de corrupção e com obras paralisadas pelos quatro cantos da cidade por suspeita de superfaturamento, o resultado da aferição não foi nenhuma surpresa.
Acredite ou não, mas 78% das pessoas com as quais conversei afirmaram que não confiam no prefeito e não votariam nele caso Sobrinho viesse a candidatar-se a qualquer posto eletivo.
Não menos significativo, no entanto, foi o número daqueles que disseram que não votariam, em hipótese alguma, no candidato apoiado por Sobrinho nas eleições do ano que vem para a prefeitura da capital: 93%.
Uma boa parte da população, mesmo despolitizada, embora não tenha uma clara consciência do que ocorre, consegue perceber, mais por intuição, que a vida política não passa mesmo de um festival permanente de empulhações.
É como se o povo, durante um longo tempo, fosse mantido na ilusão de estar vivendo um drama real, mas aos poucos fosse percebendo que apenas assiste a uma farsa, no palco, enquanto a verdadeira história sempre se desenrolou nos bastidores, sem que ele soubesse.
Hoje, a preocupação com a ética não passa de mera formalidade, porque muitos deles não vacilam em praticar condutas antiéticas para atingir seus objetivos, acreditando no velho e surrado adágio de que o brasileiro tem memória curta. Ledo engano. A opinião pública está atenta. Aos poucos a sociedade vai aprendendo a discernir entre o que é interesse coletivo e o que não vai além da ganância e avidez de pessoas.
Assim, na primeira oportunidade ela mostrará sua verdadeira reação diante dos que a traem e pretendem fazê-la espectadora de embates de que deveria ser a protagonista principalmente. E as eleições municipais porvindouras não poderiam ser mais oportunas para o povo revelar todo o seu inconformismo, não somente com a política, mas com alguns partidos e muitos políticos.