No Dia Mundial da Saúde, o Secretário Municipal de Saúde do prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT), Williames Pimentel, foi preso pela Polícia Federal, por suspeita de participar de um esquema para desviar recursos federais, no âmbito da saúde, quando estava no comando da diretoria administrativa da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). Os números são impressionantes.
Em nota, a Coordenadoria de Comunicação da prefeitura declarou-se surpresa com a prisão de Pimentel, “tanto quanto, (sic) o restante da população da capital”, exceto, é claro, o colunista, por favor! E o que pensa o prefeito Roberto Sobrinho? Ou será que a Coordenadoria fala em nome do prefeito, o homem que prometeu, dentre outras fantasias, mudar o jeito de fazer política na capital?
Pessoa de confiança de Sobrinho e do senador e candidato à reeleição Valdir Raupp (o manda-chuva do PMDB rondoniense), Pimentel já passou pela pasta da saúde municipal, no governo do prefeito Carlinhos Camurça. Na época, ganhou o jocoso apelido de “secretário coiceiro”, devido ao tratamento dispensado, principalmente, a servidores da SEMUSA.
Levado pelas mãos generosas de seu padrinho político para Brasília, Pimentel passou uma temporada na FUNASA, de onde saiu, acredite se quiser, para voltar à SEMUSA, até ser preso pela PF, na manhã de quarta-feira.
O escândalo da FUNASA não constitui, em si, um fato isolado dentro da atual realidade administrativa brasileira. Diariamente, a opinião pública toma conhecimento de ocorrências semelhantes nos mais diferentes níveis e escalões do poder, aqui e alhures, o que mostra a profunda crise de caráter que enfrentamos no gerenciamento dos negócios públicos.
Não há, verdadeiramente, um controle eficiente da correta aplicação dos recursos públicos, normalmente manipulados por administradores irresponsáveis, de acordo com suas conveniências eleitoreiras ou pessoais. A administração pública deixou de ser um instrumento capaz de, efetivamente, trazer progresso e melhoramento à sociedade, para servir a interesses outros, completamente dissociados da realidade.
O enriquecimento fácil é, hoje, encarado por muita gente como filosofia de vida. Os atos administrativos não guardam a necessária transparência e, dificilmente, são esclarecidos à população, quanto aos seus verdadeiros objetivos, enquanto proliferam os escândalos, com a função pública sendo usada apenas como arma política.
Logo, Pimentel deixará a cadeia. Aos incautos, dirá que tudo não passou de um tremendo equívoco e será recebido pelo petismo de abraços abertos para continuar à frente da SEMUSA. Até porque quem manda é o PMDB, ou melhor, o senador Valdir Raupp.