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Porto Velho vai se acabar – Por Professor Nazareno*

Porto que dá nome à cidade, sempre foi um barranco fedorento, sujo, cheio de imundícies e abandonado pelo poder público. Com ruas esburacadas e cheias de lama, uma pandemia de dengue de fazer inveja à Etiópia ou à Somália.

Da Redação

05 de Fevereiro de 2010 às 18:00

Foto: Divulgação

O Plebiscito que será realizado para a emancipação do distrito de Extrema, na Ponta do Abunã, não é o início do desmanche do município de Porto Velho. É apenas a continuação de um processo que caminha a passos largos desde a criação desta cidade no longínquo ano de 1914 e que depois foi escolhida para ser a capital do recém criado Território Federal do Guaporé em 1943. Com mais de 120 mil quilômetros quadrados de área no início, hoje “a cidade das hidrelétricas” tem menos de 30 mil e deve encolher mais ainda, pois já existem filas para que outras localidades também consigam a sua secessão: Jaci-Paraná, União Bandeirante e Abunã. Parece que todo mundo quer abandonar o barco. Por quê?
 
Porto Velho vai se acabar sim! E não é por causa da administração desastrada da “companheirada” ou das outras administrações a que a cidade foi submetida. Também não é por causa das intempéries da natureza. Roberto Sobrinho, por exemplo, iniciou a sua administração doando para o Governo Federal duas das mais importantes avenidas da cidade e não “vê a hora” da emancipação de Extrema. “É muito difícil administrar localidades que ficam muito longe da sede do município”, informou o prefeito em recente entrevista. Se a moda pega, muita coisa da cidade vai ser doada ainda. Quem vai querer ganhar de presente as sucatas da EFMM, a periferia imunda ou as Três Caixas d’água?
 
A cidade só é capital do Estado por causa do rio Madeira e da condição histórica do final do Primeiro Ciclo da Borracha. Sua localização no extremo oeste e junto à divisa como o Amazonas não atende satisfatoriamente a todos os outros 51 municípios devido às grandes distâncias. Um Estado com uma capital mais centralizada é o desejo de muitos rondonienses. Não fossem as cachoeiras e corredeiras do rio Machado, que inviabilizam a construção de um grande porto para escoar os produtos agropecuários do interior via Tabajara e Calama até o Atlântico, a capital de Rondônia seria a bela e encantadora Ji-Paraná, Cacoal ou mesmo Rolim de Moura, todas estrategicamente mais bem localizadas.
 
Além do mais, com a construção dessas hidrelétricas e a possível diminuição da vazão do Madeira entre Porto Velho e o distrito São Carlos é bem possível que o porto seja transferido para a localidade de Aliança no baixo Madeira. Talvez por lá construam um verdadeiro porto, pois o daqui, e que dá nome à cidade, sempre foi um barranco fedorento, sujo, cheio de imundícies e abandonado pelo poder público. Com ruas esburacadas e cheias de lama, uma pandemia de dengue de fazer inveja à Etiópia ou à Somália, lixo por toda parte e inércia por parte das autoridades, Porto Velho é talvez a capital mais suja e desestruturada do país. Pior do que Porto Príncipe pós-terremoto.
 
Mas há salvação para a nossa linda capital. Nem tudo está perdido. Aqui é o único lugar do mundo onde políticos devolvem o dinheiro dos suados impostos para o Executivo. Isso é um bom sinal: se está sobrando grana é por que não faltam obras de infra-estrutura. A emancipação de Extrema, a possível perda de toda a Ponta do Abunã para os acreanos e o iminente risco dos royalties da Hidrelétrica do Jirau ficarem no Jaci ou em Bandeirante podem muito bem ser compensados com a reeleição desses políticos “de bom coração” para administrar a cidade de Porto Velho: os muitos milhões de reais devolvidos resolverão qualquer problema de uma cidade que se não está na iminência de sumir pelo menos está diminuindo de área territorial a cada ano que passa.
 
*Leciona na Escola João Bento da Costa em Porto Velho
Direito ao esquecimento

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