Um equívoco comum é considerar o frango como a opção mais saudável
Foto: Reprodução
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O consenso geral nas recomendações dietéticas é reduzir o consumo de carne.
Ainda assim, ela continua sendo uma das principais fontes de proteína e micronutrientes.
Portanto, exceto em dietas específicas, o ideal é priorizar carnes mais saudáveis e de melhor qualidade.
Um equívoco comum é considerar o frango como a opção mais saudável, quando outras alternativas, como certos cortes de carne bovina, podem ser ainda mais nutritivas.
Outro ponto importante é a tendência de classificar alimentos saudáveis apenas pelo teor calórico.
De fato, o frango é uma carne magra, assim como a maioria das aves, sendo considerado carne branca e, em geral, com baixo teor calórico devido à menor quantidade de gordura.
No entanto, dependendo do corte e da forma de preparo, esse valor pode aumentar significativamente.
Além disso, grande parte do frango produzido comercialmente apresenta qualidade inferior.
Ao reduzir o consumo de carne para 0 a 3 porções por semana, conforme recomendado pela Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (AESAN), surge a oportunidade de reintroduzir um alimento muitas vezes esquecido: o fígado, especialmente o bovino.
Embora seja classificado gastronomicamente como víscera, ele se enquadra na categoria de produto cárneo e é um ingrediente tradicional em diversas preparações.
Mais saudável que o frango?
Em primeiro lugar, é importante destacar que o fígado é uma víscera vermelha e altamente nutritiva.
Ele se sobressai como uma excelente fonte de proteína de alto valor biológico, com mais de 20 g por 100 g, além de apresentar elevado teor de ferro heme — forma mais facilmente absorvida pelo organismo.
Por esse motivo, seu consumo era tradicionalmente indicado para crianças e pessoas com anemia ou risco de desenvolvê-la.
Além disso, o fígado é uma das principais fontes de vitamina B12 e contém boas quantidades de riboflavina, ácido fólico e vitaminas A e D, entre outros micronutrientes essenciais.
Fornece cerca de 135 kcal por 100 g e possui baixo teor de gordura — inferior ao do peito de frango grelhado — em razão do seu alto teor de água, que pode chegar a 70%.
Uma possível desvantagem é o elevado teor de colesterol. No entanto, muitos conceitos antigos sobre o colesterol alimentar já foram revisados pela ciência.
Segundo o médico e oncologista Dr. Daniel González, níveis elevados de colesterol no sangue não estão necessariamente relacionados ao consumo de colesterol na dieta.
O colesterol, inclusive, é essencial para a produção de hormônios importantes para o organismo.
O especialista também destaca que a ingestão adequada desse nutriente pode ser benéfica para diferentes grupos, como atletas, mulheres em idade fértil, crianças e idosos, que podem apresentar maior risco de anemia.
É seguro para todos?
Nem sempre.
Existem situações em que o consumo de fígado deve ser evitado, como no caso de mulheres grávidas, pessoas com níveis elevados de ácido úrico ou com gota, e indivíduos que utilizam medicamentos anticoagulantes.
Além disso, é fundamental optar por produtos de procedência confiável, com controle sanitário adequado.
Isso porque o fígado desempenha papel importante no metabolismo do animal, o que exige atenção especial às condições higiênicas e de segurança alimentar.
Embora propriedades semelhantes também estejam presentes no fígado de frango, coelho, cordeiro e porco, o fígado bovino se destaca pela maior concentração de nutrientes.
Ainda assim, o consumo deve ser moderado.
Vale a pena incluí-lo na alimentação de forma equilibrada, resgatando preparações tradicionais, como fígado acebolado, ensopados ou grelhado com um toque de limão.
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