Ótima minissérie e feita para emocionar. Recomendo muito
Foto: Divulgação
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Antes de mais nada, sim, o Gambito da Dama (frequentemente chamado de Gambito da Rainha) é uma abertura clássica e comum, porém segura, no xadrez, onde as brancas sacrificam um peão na ala da dama para controlar o centro e acelerar o desenvolvimento das peças.
“O Gambito da Rainha” é também o título justo para uma minissérie da Netflix maravilhosa, que revi essa semana, baseada no romance homônimo de Walter Tevis, publicado em 1983. A minissérie foi realizada pelos produtores Scott Frank e Allan Scott, e foi lançada no catálogo da plataforma em 2020, é um requinte de produção, tecnicamente bem feita.

Tem uma história primorosa, que inicia em meados dos anos 50 e vai até o final da década de 60. Só acho que ao tocar nos problemas pessoais internos da personagem Beth Harmon (Anya Taylor-Joy, linda), como alcoolismo e seu vício em medicamentos, poderia ter aprofundado um pouco mais, humanizando ainda mais seus traumas.
Elavem de uma família desestruturada, onde a mãe solteira e abandonada cuidou dela até os nove anos de idade, em seguida se matou num acidente automobilístico. Beth foi encaminhada a um orfanato educativo cristão para meninas, onde aprendeu a jogar xadrez com o zelador e através de um medicamento de controle dado a elas conseguiu dominar o jogo mentalmente, o que a transformou num fenômeno.
Aos 15 anos foi adotada por um casal e logo descobriu que foi uma decisão do marido da sua mãe adotiva, pois ele mantinha outra família em segredo até a abandona-la por completo. Beth seria a sua companhia.
Participando de alguns campeonatos e aprimorando os seus estudos no xadrez, ela logo se torna conhecida em todo o país até disputar o campeonato nacional.
Nesse período ela vai conciliando sua vida pessoal com a relação de amizade com a sua mãe adotiva, que sofria de depressão e acaba ocorrendo um problema com ela num hotel quando lá foi participar de um campeonato.
Sozinha, ela começa reunir dinheiro e prestígio, tornando dona de si própria. Isso nos anos 60 é algo absolutamente inédito para uma jovem mulher.
Se envolve com alguns homens que na verdade são admiradores seus, mas sem se apegar a eles, pois a vida dela é o xadrez e como consegue conciliar isso com a sua postura independente e notória.
Quando sua amiga de orfanato surge de volta na sua vida, Jolene (Moses Ingram), tentando corrigir seus desvios com o álcool e as drogas, Beth recebe um choque de maturidade.

No campeonato mundial ela perde para um campeão russo que é referência, isso afeta sua confiança. Porém é a força que precisa para ter o reconhecimento que busca e vai lutar para isso. Sua psique elimina seus problemas internos quando vai ao funeral do senhor Shaibel (Bill Camp) - o zelador e seu mestre - e retorna ao orfanato para lembrar do seu passado e então ela tem uma epifania emocional que a motiva a tomar a grande decisão da sua vida.
Disputar o campeonato mundial de xadrez na antiga União Soviética para tentar ir a final com o seu maior oponente.
Ali ela se torna um ponto de referência além do que imaginava, e os jogos, todos difíceis e complexos, exigem sua máxima dedicação, sempre escoltada por agentes do governo da embaixada americana.
Não vou contar se ela chega ao menos a final desse campeonato tão carregado e tão disputado, porém em um determinado trecho do último episódio, tem uma cena muito sensível e inesperada, quando Beth, ainda em Moscou, sai de um carro da embaixada que ia ao aeroporto e resolve caminhar até uma praça tradicional de praticantes de xadrez. Encontra idosos, famílias que ali estão se divertindo, até ser reconhecida como a grande jogadora e a única estrangeira a ter uma participação efetiva e relevante no país. Diante da popularidade inesperada é desafiada com admiração e respeito por um senhor que se emociona por jogar contra ela.
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A busca que ela almejava, o reconhecimento pelas pessoas que mais admirava está ali e a sua expressão resume bem a sua realização de vida.
É genial.
Tenho que destacar a interpretação da atriz Anya, extremamente a vontade com o seu rosto marcante, de olhos grandes expressivos. O modo como conduz o gestual, ou sem esconder pelos olhos todos os sentimentos que sente, seja nos jogos ou nas emoções contraditórias que as neuras da personagem Beth exigem. A atriz está incrível.
Ótima minissérie e feita para emocionar. Recomendo muito.
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