Medicamentos falsificados ou de qualidade inferior representam uma ameaça crescente à saúde pública global. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de um em cada dez produtos médicos comercializados em países de renda média e baixa é falsificado ou está fora dos padrões de qualidade.
O problema ganhou visibilidade recentemente com a procura por canetas emagrecedoras, mas especialistas alertam que o mercado ilegal vai muito além desse tipo de produto. Medicamentos de alto valor e grande demanda como hormônios, anabolizantes, remédios para disfunção erétil e até terapias oncológicas também estão entre os mais visados por falsificadores.
Essas falsificações podem conter doses erradas do princípio ativo, ingredientes diferentes dos declarados ou até substâncias tóxicas. Em alguns casos, o produto simplesmente não possui o componente responsável pelo tratamento, o que pode agravar doenças, causar intoxicações e até levar à morte.
Outro fator que impulsiona o problema é a venda pela internet. Estudos apontam que grande parte das transações online de medicamentos pode envolver produtos falsificados, o que amplia o alcance de quadrilhas e dificulta a fiscalização.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Angevisa) atua em conjunto com autoridades policiais e órgãos internacionais para identificar e retirar esses produtos do mercado. A agência alerta que medicamentos de alto custo, especialmente os utilizados em tratamentos complexos, são frequentemente alvo de falsificação por oferecerem maior lucro para criminosos.
Especialistas recomendam que consumidores comprem medicamentos apenas em farmácias e drogarias autorizadas e verifiquem se o produto possui registro na Anvisa. Também é importante observar a integridade da embalagem, conferir lote, validade e fabricante e desconfiar de preços muito abaixo do valor de mercado.
Em caso de suspeita de falsificação, a orientação é interromper imediatamente o uso, guardar a embalagem e a nota fiscal e comunicar a farmácia, o fabricante e a vigilância sanitária. Se houver reações adversas, o paciente deve procurar atendimento médico para avaliação e possível ajuste do tratamento.