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RISCO DE DESABASTECIMENTO: Mercados do Rio já limitam compras de arroz, leite e óleo de soja

De forma geral, o motivo para a alta nos preços, segundo especialistas, é o desequilíbrio entre a oferta e a demanda dos itens e suas matérias-primas no mercado interno

EXTRA

09 de Setembro de 2020 às 15:47

Atualizada em : 09 de Setembro de 2020 às 15:48

Foto: Divulgação

Nos últimos 12 meses, a cesta básica do brasileiro ficou 20% mais cara. Apesar de o aumento da cotação do arroz ser comum no segundo semestre do ano, em 2020 a elevação foi ainda mais significativa: a ProconsBrasil já registrou um reajuste de até 320% no preço do produto, com um saco de 5kg chegando a custar R$ 40 para o consumidor — o que gerou até memes nas redes sociais. Na última semana, a questão foi levada ao governo federal pela entidade de defesa do consumidor e pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que inclusive alertou sobre a possibilidade de desabastecimento nas gôndolas, se as condições persistirem. Em alguns estabelecimentos comerciais do Rio de Janeiro, limites para as compras por cliente já começaram a ser impostos.
 
De forma geral, o motivo para a alta nos preços, segundo especialistas, é o desequilíbrio entre a oferta e a demanda dos itens e suas matérias-primas no mercado interno. Os produtores têm preferido exportar, motivados pela mudança na taxa de câmbio, que provocou a valorização do dólar frente ao real.
 
Por conta do risco de desabastecimento, a rede de supermercados e hipermercados Extra informou que “para um maior número de clientes se abastecer”, limitou a compra de 10 kg de arroz e 5 unidades de óleo de soja por cliente, por tempo indeterminado. O racionamento foi observado, por exemplo, na loja da Avenida Maxwell, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio. A equipe de reportagem ainda encontrou limite para compra de 12 caixas de leite longa vida por cliente, na unidade da Avenida Maracanã, na Tijuca, na mesma região da cidade.
 
No Extra da Rua Maxwell, em Vila Isabel, o limite é de 5 unidades de óleo de soja por consumidor
 
 
O Prezunic também contou que “para garantir a disponibilidade destes itens e poder abastecer mais famílias”, além de buscar alternativas junto aos fornecedores, temporariamente limitou a compra de óleo de soja (5 unidades), arroz 1kg (10 unidades) e arroz 5kg (5 unidades) por cliente.
 
No Prezunic de Botafogo, na Zona Sul do Rio, a quantidade de arroz vendida por cliente também é limitada
 
Quando o limite não é imposto, é o preço que vira uma barreira para o consumidor:
 
— Fui ontem ao mercado e não encontrei nenhuma marca de leite por menos de R$ 4,99. Um absurdo! Acabei comprando só cinco caixas. Meu plano era comprar 12, pois era para toda a família. Agora, vou ter que procurar em outros lugares ou esperar alguma promoção — reclama o designer Cícero de Souza, de 36 anos.
 
A advogada Graciele Antunes, de 36 anos, sentiu impacto em outros itens:
 
— Senti um aumento no preço da alcatra e do contrafilé. O açúcar também apresentou um aumento considerável, mesmo o de marca inferior.
 
Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), referentes ao varejo na cidade do Rio de Janeiro, em agosto deste ano na comparação com julho, ainda subiram de preço o óleo de soja (22,39%) e o feijão preto (0,82%).
 
Para a ProconsBrasil, a solução para garantir o acesso à cesta passa por uma ação contundente do governo.
 
— A gente acionou o governo federal para que acompanhe e monitore (a situação) e, de repente, estabeleça tetos de exportação, para garantir o abastecimento interno. E invista na agricultura familiar e nas cooperativas rurais, que não vão exportar, vão gerar empregos e ainda movimentar a economia regional — disse o presidente Filipe Vieira.
 
Dicas para economizar
 
A fim de ajudar os leitores na saga de reduzir o impacto das altas no bolso, Paula Sauer, planejadora financeira e professora de Economia Comportamental na ESPM SP, deu dicas:
 
• Busque nessa fase receitas onde se possa substituir o arroz por outro cereal de mesmo valor nutritivo
 
• Mude as marcas dos itens que tiveram alta, para outras mais baratas, que muitas vezes oferecem a mesma qualidade de produto.
 
• Compre o produto a granel, quando possível.
 
• Compre em grandes armazéns distribuidores.
 
• Outra possibilidade é se juntar a vizinhos e comprar as mercadorias no atacado. Os preços podem compensar.
 
• Vale a pena pesquisar preços também. Em uma busca simples, o consumidor encontrará o mesmo produto com diferentes preços em supermercados distintos.
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