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Fábrica de inutilidades

COLUNA

11 de Fevereiro de 2020 às 11:17

Quando se trata de criar CPI’s inúteis, ninguém supera a Assembleia Legislativa de Rondônia. Tantas Comissões Parlamentares de Inquéritos já foram criadas por aquela Casa que chega a ser praticamente impossível recordar os nomes de todas elas. Não é justo, porém, colocar todo mundo no mesmo saco. Existem parlamentares verdadeiramente comprometidos com as causas sociais. Pouquíssimos, mas há.

 

Em outubro do ano passado, a ALE/RO criou mais uma Comissão. Dessa vez, para investigar uma concessionária de energia elétrica. De lá para cá, muita coisa foi dita e escrita sobre o assunto, mas, até agora, de concreto, nada. Os consumidores eventualmente prejudicados ainda não sentiram nos bolsos os efeitos financeiros e, com certeza, jamais sentirão.

 

Não quero com isso, desmerecer a importância das CPI’s. Pelo contrário. Muitas delas trouxeram benéficos ao país. Outras ganharam uma conotação que ultrapassa até mesmo os limites técnicos de seu conceito. Mas, sejamos coerentes, já tivemos CPI’s que partiram do nada para lugar nenhum, desviando-se da função para a qual foram instituídas para transformarem-se em palanque eleitoral para atender interesses outros que em nada se coadunam com as legitimas aspirações da sociedade, quando, na verdade, elas deveriam constituir-se em sinônimo de busca da verdade.

 

É triste admitir, mas não acredito que a CPI da Energisa chegará a bom termo. Os membros da Comissão até podem estar imbuídos dos melhores propósitos, mas tem instrumentos desafinados na orquestra. E não são poucos. As evidências são cada vez mais e visíveis e fortes. Em ocasiões anteriores, o personalismo egoísta acabou falando mais alto que o espírito público. Em vez de convicções poderosas, o que se viu foi mais ambição do que interesse social. Por que hoje seria diferente?

 

Já passou da hora de a Assembleia Legislativa deixar de ser uma fábrica de inutilidades para tornar-se caixa de ressonância dos anseios democráticos dos rondonienses. Ela tem a obrigação de apresentar à população solução rápida, legal e, acima de tudo, justa para os problemas sociais que afligem a sociedade, até como forma de impedir que aumentem a descrença e a desesperança do povo no parlamento estadual. Que a justiça e o bom senso prevaleçam, a gora e sempre!

 

Direito ao esquecimento

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