Sangue novo no serviço público é conversa mole - Por Valdemir Caldas

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Foto: Divulgação

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A administração pública, aqui e alhures, com as devidas exceções, transformou-se num verdadeiro mar de falcatruas. A presença de certas pessoas alheias ao setor tem concorrido exatamente para os objetivos que somente os néscios ainda não perceberam, isto é, o aniquilamento e a crescente desmoralização da máquina oficial.

Esse negócio de se introduzir sangue novo no serviço público é conversa mole para enganar desmiolados, argumento falso, usado por dirigentes irresponsáveis, que, no momento de preencherem os cargos de direção, chefia e assessoramento, privilegiam apaniguados e cabos eleitorais, em detrimento de servidores experientes, competentes e conhecedores da realidade administrativa.

 

O resultado dessa opção desastrosa é o que se tem visto na mídia. Mal esquenta a cadeira e o ungido dana-se a meter os pés pelas mãos. Para os patrocinadores do afilhadismo, pouco importa se, no exercício de funções anteriores, o escolhido tenha deixado herança de irregularidades, ou simplesmente acumulado erros que tenham representado prejuízos aos cofres públicos. Muitos dirigentes, aliás, se esquecem de exigir de seus afilhados políticos, dentre outros atributos, aquilo que comumente se costuma chamar de espírito público.

 

Assim, nomeiam-se para cargos estritamente técnicos pessoas neófitas, completamente despreparadas para o exercício da função, amesquinhando-a e negando-lhe qualquer valor. Há outro risco a ser considerado, qual seja, o fato de que a maçã podre acaba contaminando as demais maças do cesto. Neste caso, os responsáveis por eventuais ilicitudes acabam envolvendo, em seus delitos, servidores que nada têm que ver com as bandalheiras.

 

Geralmente, são algumas pessoas levadas de fora da organização pública as que se esmeram em promover patifarias e beneficiar-se delas, pois sabem que sua passagem pelo serviço público é efêmera e, por isso, têm pressa em amealhar, o mais rápido possível, a fortuna que evitará preocupações com a aposentadoria. Isso não quer dizer que todos os servidores efetivos são santos. Pelo contrário, há muitos funcionários canalhas nas mais diferentes esferas de poder.

 

Enquanto isso, os servidores de carreira, aqueles que aprenderam no convívio de anos e décadas não apenas os meandros da administração pública, mas também as causas dos problemas que a afligem, são marginalizados, desprezados, chamados de velhos, colocados para escanteio, quando não atingidos pela má fama que cerca os patrocinadores de inconfessáveis maracutaias.

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