BOLETIM CORONAVÍRUS - CLIQUE AQUI E FIQUE ATUALIZADO

Momento Lítero Cultural - Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

28 de Setembro de 2020 às 16:19

Foto: Divulgação

VIEIRA VIVO – Nossa homenagem

Poeta, poeta, poeta...

Escritor, compositor, ativista cultural, coeditor das revistas alternativas e da Editora artesanal  Costelas Felinas (com Cláudia Brino) desde 1998. Vários livros de poesias publicados.

Poesias extraídas do livro “Mingau das Almas”, Editora Costelas Felinas, São Vicente, SP, 116 páginas.

 

Chegada

 

Ofereço mãos e pernas

A caminhada e o corpo

O refúgio libertado

do cantador de mistérios

Ofereço riso em cantos

Remendos de melodias

Dia, hora, noite e vento

Revoada de acalantos

 

Ofereço simplesmente

o que trago na memória

Cabeça de ver as coisas

O cruzar de muitas portas

Pegadas no fim do mundo

Relances, reviravoltas

 

Relances de ter à volta

o refugio libertado

do passarinho sem dono

A vivência e pouco sono

(página 17)

****

Brilho cego

 

Flamejante Girassol habitará todas fronteiras

Iluminando o cerrado com os olhos de sementes

Deglutindo a claridade em sua boca sem dentes

Minando luzir e raios acima das ribanceiras

 

Que afaste a crueldade com jorros iluminantes

Vaticine o Brilho Puro através dos horizontes

com voleios radiosos, meneios, divinas fontes

Parindo nas pradarias muitas corolas gemantes

 

Nutrientes de magos: cristalina seiva de sol

Radiante harmonia oriunda do maná celestial

Ritmando dentre corpos como singelas goteiras

 

pelas veredas dos seres (brilhante-emocional)

E saciando-se de brilho o reluzir será geral

e pleno de luz num fulgor de mil fogueiras

(página 45)

****

Tribo nossa

Ao músico amador

 

Soando em madrugadas e contornos

como fosse só por tudo o natural

Cores sobre a carne de meu sono

ressoam claras na paisagem tropical

 

Andando com o tempo mano a mano

entre voos noturnos e galopes irreais

Displicência, canto móvel e insano

Tempero: álcool, fumaça, suor e sais

 

Aos tipos que musicam nos recantos

integrando o Supremo com a carne

Claridade, turba selvagem, pirilampos

 

Tons. Tempo e contratempo. Cantos

Interna esperança almeja que se arme

sobre nós e todos os sonoros mantos

(página 61)

****

Segredo

 

Cravo os olhos na pessoa

vejo e varo a vestimenta

Súbita sensualidade ecoa

Mudo, o desejo se assenta

Doido, o pensamento revoa

ao consciente diz: tenta

um ninho em quarto à toa

delirante em chama lenta

Mas, ave-fêmea logo voa

(andorinha desatenta)

Ao bater asas inda ressoa

no poema que se inventa

(página 97)

****

Profundo mergulho

 

Mergulho em teu mar a procura de mim

entre relíquias, tesouros, mistérios, sabores...

Envolto em caricias, afetos, afagos sem fim

iluminando-me a alma em raios e cores

 

Mergulho em teu mar à cata da essência

do meu eu. Do que em mim desconheço

E teu mar revela-se em forma de aparência:

Mulher-oceano, onde de amor me abasteço

 

Mergulho em teu mar ancorado em teus braços

e desvendo as profundas paragens deste universo

Banhado em carinhos, encantos, amáveis laços...

Quisera em teu mar, para sempre, viver submerso

(página 106)

****

Confissão

 

Qual doideira sem cura

a planta da literatura

enraizou-se em meu ser

Tendo frondosa postura

alimenta-me em fartura

dos mistérios do saber

Sendo plena de flores

e repleta de sabores

dá a sombra que alivia

da canseira, das dores,

da fadiga e dos suores

dos caminhos da poesia

(página 112)

 

Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS