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COLUNA

30 de Julho de 2019 às 10:14

Foto:

 

LOURENÇA LOU - ESPECIAL

 

LIVROS RECOMENDADOS

À venda com a autora, via Facebook

 

1-equilibrista

Poesia, 140 p., Editora PENALUX, Guaratinguetá, SP, 2016.

 

certos estados de pureza (p.31)

 

algumas pessoas

nascem para ser sérias

amam sendo sérias

são felizes sendo sérias

 

eu nasci para ser feliz

 

e a seriedade

eu adapto à minha caligrafia.

 

gracias a La vida (p.60)

 

gracias

pelas coisas infiéis

que nos fazem buscar

o equilíbrio de cada manhã

 

gracias

pela contagem das horas

que nos faz diluir as noites

em certezas de amanhecer

 

gracias en fin

pela alegria de existir

apesar da indiferença

marcada nos ponteiros do relógio.

 

origem do pecado (p.66)

 

entre provar teus frutos freudianos

e navegar as demandas dos teus mistérios

prefiro meus cinco sentidos

em alerta

e abertos

a todas as possibilidades

 

corpo a corpo

serei sempre instrumento

da tua falta de limites

 

2-Pontiaguda

Poesia, 122 p., Editora PENALUX, Guaratinguetá, SP, 2017.

 

similaridade (p.23)

 

alguns poemas

são tirânicos

capazes de subverter

a língua

escapar à vontade

do poeta

 

tomados de vertigens

pela convulsão

dos versos

fecundam a imaginação

incendeiam

a desobediência do leitor

 

alguns poemas são femininos.

 

janelas do mundo (p.41)

 

livros

são os pais adotivos

de quem apenas adivinha

o mundo

do lado de dentro do portão

 

é deles

que vêm as janelas

que desenham a vida

na solidão

dos órfãos de pais vivos.

 

tempos atuais (p.71)

 

deveriam ser tesouros

as palavras que se lançam

como penhas raras

entre tantos olhares

 

mas tantos olhares são porcos

a comer pérolas

a sangrar os sentidos

 

como acreditar em dias

traçados à lâmina

pela falta de sensibilidade

pelos ouvidos moucos?

 

Eu que não cria em apocalipses anunciados!

 

3-Náufraga
Poesia, 138 p., Editora PENALUX, Guaratinguetá, SP, 2018.

 

girassol (p.38)

 

eu o amava

com dentes

língua e deboches

 

ele sorria

me beijava

e sofria

 

toda noite eu o matava

 

todo dia ele nascia

para reviver

o fogo que o queimaria

 

há flores que nascem para morrer ao sol.

 

das lembranças (p.42)

 

porque foram muitas

as manhãs

que nossos desejos

acenderam juntos

e foram tantos os dias

que encompridamos

na tentativa de nos eternizar

 

porque foram intensos

os nossos abraços

na esperança

de nos amalgamarmos

e foi infinita a fome

que ao tom de beijos e blues

engoliu nossos corpos

 

porque tudo isso fomos nós

hoje somos

das lembranças

nossas melhores melodias.

 

cada dia tem seu segredo (p.118)

 

achava que a vida

deveria era parida

num sexo selvagem

com a pressa de quem se sabe mortal

 

depois de senti-la

escorrendo por entre meus dedos

aprendi que viver

também pode ser aos poucos

delicadamente

amorosamente

para garantir a respiração do amanhã

 

descobri

cada palavra guarda mais que um significado

cada frase cabe dentro de mais de uma intenção

cada dia tem seu segredo além de seu tempo de duração

 

descobri que tudo está à beira de ser.

 

Direito ao esquecimento

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