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NA ROMA ANTIGA, JÚLIO CÉSAR JÁ DIZIA...

COLUNA

09 de Março de 2020 às 08:34

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“Divide et Impera”, ou seja, dividir para conquistar. 


Conceito também aplicado anteriormente pelo Rei da Macedônia Felipe II, pai do famoso conquistador Alexandre o Grande. 
Claro que Maquiavel ensinou a mesma coisa no livro “A Arte da Guerra” (Dell’arte della guerra), num tom quase profético: “um capitão (vejam só), deve se esforçar ao máximo para dividir as forças do inimigo, seja fazendo-o desconfiar dos homens que confiava antes ou dando-lhes motivos para separar suas forças, enfraquecendo-as”. Nem é preciso lembrar que Napoleão Bonaparte e toda sorte de tiranos e impérios da Era Moderna adotaram esta ideologia como um monge veste o hábito.


Falando em Impérios e ideologias, vamos ao presente. Os Estados Unidos, a maior potência econômica e militar do planeta, são hoje o que Roma um dia foi na antiguidade.


O Brasil de agora é parecido com a Palestina na época do Império Romano, ou seja, uma colônia, com governo próprio, porém submisso, pagador de tributos e subcomandado por uma casta religiosa truculenta, que crucificaria novamente Jesus caso voltasse.
Há quem diga que o Brasil deixou de ser colônia em 07 de setembro de 1822, quando foi proclamada a Independência. Na prática, as coisas não são tão simples, pois independente é o país que não é escravo de interesses estrangeiros.


Nossa nação é riquíssima em reservas minerais. Ouro, esmeraldas, quartzos dos mais variados tipos, diamantes, cassiterita, manganês, urânio, o preciosíssimo nióbio e petróleo. Ah, o petróleo, este ouro negro que tanto desperta a cobiça estrangeira.
Se temos tantas riquezas naturais, por que não fazemos parte do primeiro mundo e ainda por cima patinamos na lama quando o assunto é prosperidade geral?


Talvez a resposta esteja na letra da música “Aluga-se”, do saudoso Raul Seixas:


“A Amazônia é o jardim do quintal e o dólar deles paga o nosso mingau”.


O Império Norte-americano necessita manter a hegemonia para se sustentar, noutras palavras, firmar a posição de ÚNICA superpotência nas Américas e para isto, vale tudo: derrubar governos, comprar parlamentares, instalar ditadores, treinar juízes e procuradores, comprar parlamentares e financiar candidatos à presidência, alinhados aos EUA. O repertório é vasto, tudo amparado pela Doutrina Monroe, “América para os americanos”, os norte-americanos, diga-se de passagem. 


Essas táticas tóxicas foram escancaradas pelo hacker Julian Assange, fundador do site Wikileaks e também por Edward Snowden, ex-espião da NSA/CIA. Ambos mostraram as estratégias rasteiras de controle ilegal do governo americano sobre governos e cidadãos de todos os países, incluindo os que moram na Terra do Tio Sam.


E onde, na atualidade, o Brasil se encaixa nessa trama? A partir do momento em que foi descoberta uma das maiores reservas de petróleo do mundo, o Pré Sal. 


Os olhos da águia ianque cresceram, porque petróleo é poder. Barack Obama e Donald Trump sabem bem disso. Em 2009, Obama se apressou em chamar Lula de “o cara”, numa tentativa de aproximação, devido ao interesse das empresas norte-americanas nos dividendos.


O que alterou este cenário foram dois fatores: o projeto do governo Dilma em colocar 75 por cento da arrecadação do Pré Sal para financiar a educação pública nacional e também a entrega do Campo de Libra, o maior do pacote de privatizações, para multinacionais europeias e chinesas.


A relação com os EUA, que já não ia bem, desde que o Brasil venceu os americanos na disputa para sediar a Copa do Mundo, desandou de vez. Por “coincidência” logo em seguida surgiu a denúncia de suspeita de compra superfaturada da Usina de Pasadena, nos EUA, pela Petrobrás, que foi por onde começou a ser desenhado o processo que culminaria pouco depois no impeachment, muito bem orquestrado pelo poder do capital em consonância com o Tio Sam, catapultando o vice, Temer, ao lugar de presidente serviçal aos interesses dos poderosos.


Durante o governo Dilma também surgiu a polarização direita versus esquerda, que até hoje divide a nação entre coxinhas e mortadelas. Algo muito conveniente para o Império Econômico Mundial, afinal, é muito mais fácil conquistar e saquear um País desunido. 


Na realidade, tanto direita, quanto esquerda ou centro, quando governam de forma inteligente, conscientes de que nossas riquezas são para o brasileiro usufruir, quem se beneficia é o cidadão, mas, quando a temperatura ideológica atinge o ponto de ebulição, tudo ao redor começa a derreter e se escafeder.


Para o capital estrangeiro, o que interessa por aqui é apenas o que podem lucrar conosco. O bem estar da população é um problema exclusivamente nosso, só resta agora o povo descobrir e despertar.

 

Marcelo Winter é jornalista há 22 anos e radialista desde 1987. Foi repórter, produtor de Rede e Coordenador do Núcleo Rede Globo da Rede Amazônica ( Globo/RO ). Formado em Jornalismo, também cursou Direito e Ciências Políticas. Nas horas vagas, é tarólogo.

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