Paulinho da Viola, talento e elegância de um sambista - por Humberto Oliveira

Paulinho da Viola, talento e elegância de um sambista - por Humberto Oliveira

Foto: Divulgação

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Tinha eu 14 anos de idade quando ouvi uma música de Paulinho da Viola pela primeira vez: "Pecado Capital", tema de abertura composto por ele para a novela homônima escrita por Janete Clair para substituir a primeira versão de "Roque Santeiro", de Dias Gomes, que a Censura havia proibido de ir ao ar. "Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval na vida de um sonhador". Obra-prima.
 
A partir de então nunca mais parei de acompanhar este que considero um dos maiores compositores da história da música brasileira e nas hostes do samba, merece figurar ao lado de mestres como Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Candeia, Monarco, Ataulfo Alves, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Ismael Silva e tantos outros.
 
Consegui juntar um dinheiro e fui até a Tok Discos, uma loja que havia na época. Mas o valor era mais alto e o último recurso foi procurar um disco de Paulinho da Viola vendido na calçada. Era assim que colecionadores comercializavam seus LPs. Andei bastante até encontrar "Prisma Luminoso". Peguei o ônibus e fui para casa feliz por ter adquirido meu primeiro disco de Paulinho da Viola.
 
O que eu queria comentar é sobre o excelente documentário de Izabel Jaguaribe: "Paulinho da Viola, meu tempo é hoje", lançado em DVD em 2003. O compositor aparece bem à vontade contando suas histórias e momentos de sua carreira. Marisa Monte, a Velha Guarda da Portela, Sérgio Cabral, Elton Medeiros, Cristina Buarque, Teresa Cristina, o escritor e biógrafo de Noel Rosa, João Máximo, o compositor e poeta Paulo Sérgio Pinheiro, Nelson Sargento, Jair do Cavaco, Zeca Pagodinho - nem um pouco simpático, Walter Alfaiate, o poeta, letrista e compositor Hermínio Bello de Carvalho, entre outros, marcam presença nesta joia, cuja trilha sonora vai além das músicas de Paulinho.
 
 
No decorrer do filme, ele interpreta, não apenas alguns dos seus sucessos, mas composições de outros que considera seus mestres. Tem "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro, "Meu tempo é hoje", de Wilson Batista, "O sol nascerá", de Cartola, Carlos Cachaça e Elton Medeiros e mais.
 
Recorro ao depoimento do jornalista, pesquisador e biógrafo Sérgio Cabral, entrevistado pelo também jornalista Zuenir Ventura, sobre Paulinho da Viola. No que Cabral responde: Na minha vida toda, conheci apenas dois homens realmente elegantes, Cartola e Paulinho. Mais à frente ele afirma que Paulinho da Viola é tradicionalista e moderno ao mesmo tempo. "Para mim, ele é o sambista brasileiro mais moderno", falou.
 
O documentário também reúne várias gerações. O pai do compositor, o violonista César Faria, que fez parte do grupo de Choro "Época de Ouro" e tocou com Jacob do Bandolim, o próprio Paulinho e o filho João Rabello, também músico e com talento reconhecido no meio musical.
 
Paulinho da Viola é casado desde 1978 com Lila Rabello. Ao todo, o cantor e compositor tem sete filhos, frutos de seus diferentes relacionamentos, sendo eles: Eliane Faria (com Alcinéia Pereira), Íris e Julieta (com Isa Dantas), e Beatriz, João, Cecília e Pedro (com Lila Rabello). Todos aparecem cantando com o pai. Lila revela que o marido é perfeccionista e adora consertar coisas, desde uma cadeira até um relógio de pulso e automóveis.
 
 
Paulinho ganhou seu nome artístico de Sérgio Cabral e Zé Keti. Para eles, com razão, Paulo César não era nome de sambista. Daí nasceu Paulinho da Viola, uma referência a outro grande nome histórico do samba, Mano Décio da Viola - um batizado e uma bela homenagem.
 
O músico se apresentava, no início da carreira, ainda quase um menino, acompanhando os artistas que se apresentavam no mítico Zicartola, misto de bar e restaurante onde se reuniam personalidades como Carlos Lyra, Nara Leão, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Zé Keti e obviamente, o dono da casa, mestre Cartola. No documentário, Paulinho lembra que foi ali que aprendeu muito, assim como com o pessoal da Velha Guarda da Portela, escola homenageada por ele no clássico "Foi um rio que passou na minha vida". 
 
Intérprete e compositor de expressivo talento, suas composições venceram o teste do tempo e se eternizaram na boca do povo. "Sei lá, Mangueira", em parceria com Hermínio Bello de Carvalho, "Argumento", "Sinal fechado", "Coisas do mundo, minha nega", "Quem sabe", "Onde a dor não tem razão", "Recado", dele e Casquinha, a primeira composição, "Coração leviano", "Minhas madrugadas", com Candeia e gravada magistralmente por Elizeth Cardoso. Precisa de mais?
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