Marcos Rocha e o Telefone Celestial - por Daniel Pereira

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Foto: Divulgação

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A política rondoniense vive, atualmente, o ápice de sua própria novela turca: daquelas com capítulos infindáveis, escassos heróis e um suspense de fazer inveja a Alfred Hitchcock. O enigma que assombra os corredores do CPA é um só, repetido em sussurros do café ao gabinete: Marcos Rocha renuncia ou não renuncia?
 
O atual governador encontra-se diante do mesmo dilema que outrora roubou as noites de insônia de Cassol e Confúcio. Em entrevistas que oscilam entre a rádio local e o mítico "Jornal Nacional de Chupinguaia", o inquilino do Palácio jura que fica. Mas, como quem não quer nada, deixa sempre uma fresta na porta: diz que só "pica a mula" se o Criador enviar um comando.
 
É uma estratégia audaciosa, para dizer o mínimo. Rocha transferiu a responsabilidade do seu CPF para o Altíssimo. Parece esperar uma ordem de serviço vinda diretamente das nuvens, como se o Arquiteto do Universo, entre a gestão de uma galáxia e outra, estivesse genuinamente preocupado com o quociente eleitoral de Rondônia.
 
Se meu saudoso pai, Manoel Inácio Pereira, ainda andasse por estas bandas, certamente lhe daria um conselho de graça: "Cuidado com o segundo mandamento, meu filho".
 
Rocha parece acreditar piamente que possui um ramal direto com o Reino dos Céus — uma exclusividade mística que seus concorrentes, meros mortais, não detêm. Banaliza a fé com a naturalidade de quem consulta a previsão do tempo. Esquece-se de que, quando o Nazareno foi tentado no deserto, despachou o "Coisa-Ruim" com um divino "vê se me erra", lembrando que seu Reino não é deste mundo — e, por extensão, nem das coligações partidárias.
 
A hipocrisia palaciana ganharia em honestidade se o "deus" de Rocha tivesse nome, sobrenome e título de eleitor. Em 2018, o "Messias" que lhe deu o sinal foi o Jair. Agora, em 2026, o panteão mudou. O deus da vez atende pelo nome de Flávio. E o "deus Flávio" já procedeu com a unção: escolheu seus profetas para o Governo e o Senado.
 
No altar da família Bolsonaro, ao que tudo indica, o nome de Marcos Rocha não consta na liturgia principal. Nesse contexto, a providência celestial dificilmente intervirá. O Céu, ao que parece, anda ocupado demais com questões universais para se ater a atas de convenção; contudo, guarda tempo de sobra para registrar as faltas daqueles que, por conveniência eleitoral, insistem em tomar o Seu santo nome em vão.
 
DANIEL PEREIRA. Advogado e ex-governador de Rondônia (2018).
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