A seguir, a transcrição de trechos de uma conversa entre o desembargador Sebastião Teixeira Chaves, presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, e o juiz José Jorge Luz, da 5ª Vara Cível da Comarca de Porto Velho, sobre a liberação, pela Justiça, dos bens bloqueados do presidente da Assembléia Legislativa, Carlão de Oliveira (PSL):
PROCURADOR GERAL DE JUSTIÇA ABIDIEL RAMOS FIGUEIRA, SOBRE OS PROCESSOS DOS DEPUTADOS ESTADUAIS PARALISADOS NO MP: "Nós estamos 10, nós não fizemos nada, eles não podem nem abrir a boca. Nós não mexemos uma palha, não prejudicamos em nada"
*Depois de prender os presidentes da Assembléia Legislativa, do Tribunal de Justiça, e mais 22 pessoas em Rondônia, agora a Polícia Federal investiga o suposto envolvimento do atual procurador-geral da Justiça com a quadrilha formada por autoridades do estado. Telefonemas gravados mostram a troca ilegal de favores entre os acusados de pertencer à quadrilha.
*Numa das conversas gravadas pela Polícia Federal, com autorização da justiça, o presidente da Assembléia Legislativa, Carlão de Oliveira, preso pela Operação Dominó, conversa com outro dos presos, o ex-procurador-geral de Rondônia, José Carlos Vitachi.
*Segundo a polícia, os dois tinham um acerto para a libertação de três funcionários da assembléia, detidos por desvio de dinheiro. Em troca, seria aprovado o projeto de aumento de salário para os promotores.
*Dias depois, os funcionários foram libertados. Mas a aprovação do aumento não saiu no tempo previsto. O ex-procurador diz que não vai tolerar mais atrasos:
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Vitachi: Se isso acontecer Carlão, simplesmente as coisas vão, vocês não vão suportar o Ministério Público.
*Dos 14 inquéritos abertos pela Polícia Federal para apurar o desvio de R$ 70 milhões na Assembléia, dois já foram concluídos e encaminhados ao Ministério Público de Rondônia, que não pediu mais investigações nem ofereceu denúncia. Segundo a Polícia Federal, uma outra conversa gravada explicaria a razão pela qual os processos nunca andaram.
*Na conversa, o atual procurador-geral Abidiel Filgueira recebe um telefone do assessor que acompanha na assembléia a votação do projeto de aumento para promotores na assembléia.
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Assessor: Eles queriam um compromisso que até o fim das eleições nenhuma outra medida seria tomada pelo Ministério Público.
*Abidiel: Mas não foi, até agora nenhuma medida foi tomada pelo Ministério Público.
*Assessor: Eu sei
*Abidiel pede ao assessor para lembrar os deputados de que forma vinha tratando os inquéritos da assembléia.
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Abidiel: Nós estamos em 10, nós não fizemos nada, eles não podem nem abrir a boca. Nós não mexemos uma palha, não prejudicamos em nada.
*O procurador-geral se defendeu.
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“O chefe de instituições dialogamos constantemente com todos os demais até porque há muitos interesses institucionais que devemos buscar em outras esferas, eu acho que se você pegar essas gravações e colocar um contexto de interesses da instituição, elas não dirão nada com nada”, afirmou Abdiel Filgueira, procurador-geral de Justiça.
*O projeto de aumento para os promotores do estado foi aprovado no dia 28 de junho.
*O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que o governo federal não descarta uma intervenção em Rondônia. Mas que, por enquanto, avalia que ela não é necessária.
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Veja também: *
Dominó - Leia transcrição de escuta telefônica entre Desembargador e Juiz
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Veja conversa gravada pela PF entre presidente do TJ e Carlão negociando sentença favorável ao ex-prefeito Irandir de Oliveira