Em documento protocolado na Câmara de Vereadores de Cacoal, na tarde da segunda-feira (07), a Federação dos Cultos Afro Religiosos Umbanda e Ameríndios do Estado de Rondônia (Fecauber) não aceitou a retratação por escrito do vereador Magnison Mota (PSC), que também é vice-presidente da Casa.
“A intolerância religiosa é um termo que descreve a atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar as diferenças ou crenças religiosas de terceiros”, destaca o texto da entidade.
Documento repudia todas as palavras de Magnison Mota, repletas de intolerância religiosa
Relembre
Magnison fez várias ofensas demonstrando
intolerância religiosa, no final de novembro do ano passado, durante uma sessão ordinária. Ele se dirigiu a uma mãe de santo, conhecida como Yolanda.
Um vídeo divulgado no Facebook mostra o vereador chamando a mulher de “feiticeira”, “endemoniada”, “filha do capeta”, “macumbeira”, por colocar anúncios em postes da cidade como forma de divulgação do seu trabalho.
Magnison Mota ainda seguiu a série de ataques na sessão da Câmara como a seguinte frase: “Falo um negócio pra você, macumbeira, se você for lá perto de casa e eu ver você, eu dou com fogos de artificio lá e você vai sair queimada de lá”.
Detalhes
A Fecauber também repudia todas as falas e atitudes de Magnison Mota após o fato ocorrido.
“Não se pode em uma sociedade democrática termos parlamentares, ditos defensores dos interesses do povo, que não separe suas convicções pessoais e religiosas, de suas obrigações constitucionais. Não concordamos com expressões e discursos que não entendam e respeitem a sociedade como plural”, aponta o documento entregue na Câmara.
Fecauber vai entrar com ação na justiça contra o parlamentar de Cacoal
Além de não aceitar o
pedido de desculpas por escrito do vereador de Cacoal, a instituição seguirá acompanhando a investigação do Ministério Público Estadual (MPE).
“A Fecauber não aceita a retratação feita pelo vereador Magnison da Silva Mota, vice-presidente da Câmara de Cacoal, já publicada em jornal do município, assim como não aceitará nenhum tipo de retratação. Esta entidade pugnará pela representação dele na justiça para que a retratação se dê dentro dos preceitos jurídicos”.
E segue: “Como forma do mesmo entender que existem leis e vivemos em um Estado Democrático de Direito(s), que deve valer para todos e determinar limites”.