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COLÉGIO MILITAR: Diretor de escola não entrega diploma para formando por conta do corte de cabelo

Mãe de aluno registrou queixa na polícia e denunciou o diretor de escola militar

FOLHA DO SUL ONLINE

14 de Dezembro de 2020 às 11:06

Atualizada em : 14 de Dezembro de 2020 às 11:07

Foto: Divulgação

A diarista Suzana Alves do Amaral denunciou o policial militar R. Silva, diretor da Escola Militar Tiradentes, de Vilhena, alegando que seu filho foi humilhado durante um evento de formatura particular, por causa do corte de cabelo que usava.
 
Segundo Suzana, durante o evento de formatura do ensino médio do filho,  Fernando Gabriel Alves Amaral, de 18 anos, pelo qual ela pagou o valor de R$ 842,00 e que ocorreu no último dia, 05, em um local fora da unidade de ensino, devido não se tratar de um evento oferecido pela instituição e reunir estudantes de várias escolas, o militar entregava os certificados, porém, na hora de entregar para Fernando, se negou a fazer isso por causa do corte de cabelo que o rapaz usava, conhecido como coque samurai.
 
Ainda segundo Suzana, o filho tinha se informado com a secretaria da instituição sobre a necessidade de cortar o cabelo para o evento, mas lhe disseram que não havia necessidade, uma vez que a formatura não seria realizado na escola e era custeado pelos pais.
 
Na ocasião, vários alunos de instituições de ensino diferentes receberam a certificação de conclusão do ensino médio e nenhum estava uniformizado, o que segundo ela, não justifica a ação do militar, que na frente de todos, disse que não iria formar Fernando, pois não queria ser motivo de chacota entre os colegas de farda.
 
Ainda de acordo com a mãe, R. Silva disse que se o jovem não se retirasse, ele sairia do local, pois o aluno estava envergonhando a instituição e passou para os demais formandos a opção de escolha de quem ficaria no evento.
 
"Ele humilhou tanto meu filho que ele saiu chorando do evento", relatou a mãe.
 
Suzana relatou ainda que até o fotógrafo, que foi pago por ela, foi impedido de tirar fotos do filho, pois o policial se negou a posar junto com o rapaz.
 
Apesar da empresa que forneceu os serviços do evento ter oferecido o reembolso pela alimentação que a família e os convidados não usufruíram, por terem se sentido humilhados e terem se retirado do local após inúmeras tentativas de falar com o diretor e este não atendê-los, Suzana procurou a Delegacia da Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência contra o militar pela situação vexatória a qual seu filho foi exposto.
 
“Sabemos das normas para estudar na escola, porém, o evento era particular, pago por mim e nos informamos sobre a necessidade de cortar o cabelo. Tanto que havia várias pessoas com cortes diferentes e maquiagens diferentes, que não foram tratados como meu filho foi, com descaso. Era o sonho dele receber o certificado e a ação do diretor é preconceituosa”, concluiu Suzana.
 
O outro lado
 
Procurado pela reportagem do site,o capitão R. Silva afirmou que anteriormente foi realizada uma reunião na escola, quando foi dispensado apenas o uso do uniforme, para que os alunos pudessem se vestir a caráter, como de fato, foram, com exceção de Fernando, que trajava calça jeans e camiseta.
 
Ainda segundo o diretor, as vestes do jovem não o incomodaram, porém, o corte de cabelo estilo "moicano" sim, pois não condiz com as normas da escola, das quais tanto os pais quanto os alunos estão cientes, pois assinam termos no momento da matrícula.
 
Antes de começar o evento, R. Silva disse que reuniu somente seus alunos do lado de fora do local e solicitou que Fernando fosse cortar o cabelo, pois de fato não podia permitir que ele se apresentasse daquela forma como aluno da Escola Militar Tiradentes, uma vez que seria chamado a atenção por seus superiores, mas o jovem se negou, afirmando que aquele era seu estilo.
 
"Como ele disse que não iria cortar o cabelo, começamos o evento com uma hora de atraso esperando os pais dele, o que não era necessário, pois ele já tem 18 anos e eles não apareceram. Já durante a entrega dos certificados, a mãe chegou e queria que eu parasse o evento pra falar com ela e não parei", afirmou o militar.
 
Por fim, R. Silva relatou que jamais impediu Fernando de ficar no local e confraternizar com os amigos, pois a festa foi paga pelos próprios familiares dos formandos, apenas se recusou a chamá-lo ao palco para receber o certificado, que também era simbólico, não o impedindo na continuidade a seus estudos.
 
"De forma alguma minha atitude foi contra a pessoa do Fernando e todos os alunos são testemunhas de que não agi de forma que pudesse deixá-lo envergonhado, mas é meu dever zelar pela disciplina e normas da instituição da qual dou Diretor", concluiu R. Silva.
Direito ao esquecimento

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