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ACIDENTE: Mecânico de Rondônia morre após ser baleado na zona rural

Marciano Nolasco da Silva tinha 35 anos, era mecânico e morreu após cirurgia

FOLHA DO SUL ONLINE

28 de Abril de 2020 às 09:00

Foto: Divulgação

O FOLHA DO SUL ON LINE conversou, por telefone, com a estudante Nicolly Zuchelli, 20 anos, cujo padrasto, Marciano Nolasco da Silva, 35, morreu ontem, após ser baleado na zona rural de Foz do Iguaçu, no Paraná. O acidente aconteceu no início da noite do último domingo, 26.
 
Nicolly contou que o padrastro, que é mecânico, foi chamado para fazer atendimento de socorro numa estrada quando, ao passar por uma propriedade rural resolveu parar para furtar milho. Dois colegas dele, que vinham logo atrás, numa outra picape, também pararam no local.
 
O dono da plantação, porém, reagiu a bala e atingiu o vilhenense nas nádegas. O tiro de pistola saiu pela virilha, após romper vasos, veias e artérias. Os dois colegas de Nolasco, que não foram atingidos, fugiram e acabaram presos pela polícia, mas liberados após prestar depoimento.
 
Levado para um hospital da cidade paranaense, Marciano passou por cirurgia, tomou 30 bolsas de sangue, mas não resistiu à gravidade do ferimento e veio a óbito no dia seguinte (ontem). O corpo dele, que residiu em Vilhena de 2005 a 2015, e morava em Foz do Iguaçu desde então, será sepultado nesta terça-feira, 28.
 
Nicolly, que é recreadora, e cuja mãe trabalhou por muitos anos na rádio Planalto, em Vilhena, fez um longo desabafo nas redes sociais, no qual deu detalhes do episódio e revelou que o padrastro deixa outras duas filhas, de 08 e 12 anos.
 
A arma usada pelo fazendeiro para disparar contra o vilhenense era legalizada. Ele disse ter atirado por não aguentar mais tanta gente parando com Kombi, saveiro e demais carros para furtar seus milhos
 
LEIA ABAIXO, NA ÍNTEGRA, A VERSÃO DA ENTEADA DA VÍTIMA:
 
 Esse texto não é uma despedida é um texto de indignação. Meu padrasto talvez não tenha sido o melhor homem, o melhor marido, mas ele foi o melhor pai, tanto pra mim quanto para minhas duas irmãs e é por esse motivo que hoje eu escrevo. Meu padrasto não foi aquele tipo de homem que era um exemplo a ser seguido, mas a minha mãe costuma dizer que ele era muito ingênuo, que fazia as coisas sem maldade, que não via a real maldade das pessoas, quando ela dizia isso eu me sentia ainda mais filha dele pois era isso que muitas vezes eu também ouvia. E foi por isso q ele perdeu a vida. Na tarde do dia 26, meu padrasto foi baleado na beira de uma plantação de milho, eu sei que roubar milho não é honesto, mas se tornou até uma tradição, quem nunca parou e roubou uns milhos na beira da estrada? A mídia tão gananciosa quando o agricultor noticiou que meu padrasto e os dois amigos tinham intenção de encher uma caminhonete de milho, mas ao contrário do que eles noticiaram, meu padrasto e os amigos só fizeram uma graça ao passar próximo a plantação. Fazer a matéria é fácil, mas quero ver irem atrás da verdade. Essa graça custou a vida dele, não so a vida dele como a nossa também, como vai ser daqui em diante a vida das minhas duas irmãs pequena e da minha mãe que perdeu o marido tão precocemente? Talvez ele tenha sido errado e desonesto ao cometer tão ato, a gente não estava passando fome, a gente nunca precisou realmente, mas talvez, agora precise. O agricultor que por sua vez era influente no meio policial e tinha um porte de arma alegou que não atirou contra ele, mas como um tiro q não foi proposital pode fazer um estrago tão grande. O tiro “não proposital” entrou pelo glúteo e saiu pela cintura, rompendo inúmeras artérias e causando uma hemorragia gravíssima, meu pai lutou muito, após duas paradas cardíacas ele ainda queria viver, mas depois de receber 30 bolsas de sangue e perder o dobro dessa quantia, seu corpo fraco não aguentou e veio a óbito. Ao ver minha família devastada eu tirei forças do rancor e do ódio q agora me devasta pra escrever isso, e pra dizer que talvez a justiça seja falha, mas eu vou lutar, e que mesmo que a dos homens falhe a de Deus nunca falhará. É preciso aprender que dinheiro não trás vida nem cura doenças, dinheiro trás ganância e a ganância tira vidas. Fica aqui registrado não o meu adeus ao meu pai, mas o meu repúdio a ganância e a violência. Eu ainda tenho muito pra falar em relação ao ocorrido e saiba q não vou me calar, por ele, pelas minhas irmãs e pela minha mãe. Eu amo você, obrigada por tudo, obrigada por estar do meu lado, por ter me ensinado a dirigir, por ter me levado pra prestar vestibular, obrigada por ter me ajudado a me tornar a mulher q sou hoje!
Direito ao esquecimento

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