Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia, como celulares, carros elétricos e turbinas eólicas
Foto: Reprodução internet
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Rondônia pode ganhar importância na nova corrida mundial por minerais estratégicos.
O aumento da demanda por terras raras, impulsionado pela expansão dos veículos elétricos, eletrônicos, energias renováveis, automação e tecnologias de defesa, coloca o potencial mineral rondoniense sob uma nova perspectiva.
Um dos pontos de maior interesse está no Garimpo Bom Futuro, em Ariquemes, onde antigos rejeitos da mineração de estanho apresentam ocorrência de terras raras e outros minerais considerados estratégicos.
Aumento da demanda por minerais estratégicos abre oportunidade para Rondônia, que possui terras raras, estanho, nióbio, ouro e outros recursos.
O projeto prevê o aproveitamento de aproximadamente 70 milhões de toneladas de rejeitos acumulados durante cerca de 25 anos de mineração de estanho.
Segundo informações divulgadas pela Canada Rare Earth, o material contém cassiterita, ilmenita, zircão e terras raras.
A empresa obteve o direito de ampliar sua participação no projeto para 52% e assumir a operação.
A importância desse potencial aumentou porque as terras raras passaram a ocupar posição central na disputa tecnológica e econômica entre grandes potências.
Esses elementos são utilizados na fabricação de ímãs permanentes empregados em motores elétricos, equipamentos eletrônicos, geração de energia e diversas aplicações industriais e de defesa.
A concentração dessa cadeia produtiva é um dos principais fatores que explicam a corrida por novas fontes. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a China respondeu, em 2024, por cerca de 60% da produção mundial de terras raras magnéticas, 91% do refino e 94% da fabricação de ímãs permanentes sinterizados.
Rondônia já é um estado minerador
A possível exploração das terras raras não significa que Rondônia esteja começando agora no setor mineral.
A mineração faz parte da história econômica do Estado, principalmente por causa da cassiterita, minério do qual é produzido o estanho.
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O Estado possui ainda produção e ocorrências de ouro, nióbio, tantalita, columbita, ferro, manganês e minerais utilizados na construção civil. A questão é apronfundar os estudos e saber se as quantidades disponíveis são economicamente viáveis.
Outro segmento importante é o calcário, utilizado como insumo para a agricultura. A Companhia de Mineração de Rondônia, por exemplo, já registrou produção superior a 180 mil toneladas em um único ano, distribuídas a produtores dos 52 municípios do Estado.

A mineração também está presente na Floresta Nacional do Jamari, em Itapuã do Oeste.
A unidade possui histórico de exploração de cassiterita e estudos científicos registram impactos da atividade sobre os solos e áreas mineradas.
O histórico demonstra a dimensão e, ao mesmo tempo, a complexidade da atividade mineral em Rondônia.
A exploração pode gerar empregos, impostos, royalties e divisas, mas exige planejamento ambiental, fiscalização e recuperação das áreas afetadas.
Bom Futuro pode transformar rejeitos em oportunidade
O caso do Bom Futuro chama atenção por outro motivo: o projeto busca transformar rejeitos de uma mineração antiga em fonte de novos minerais.
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A ideia é aproveitar materiais que foram descartados quando o principal objetivo era a produção de estanho.
A Canada Rare Earth desenvolveu estudos para recuperar diferentes minerais presentes nos rejeitos, incluindo terras raras.
Isso pode representar uma vantagem econômica e ambiental, desde que a tecnologia consiga separar os minerais de maneira economicamente viável e com controle adequado dos impactos.
Mas existe uma diferença fundamental entre potencial geológico e produção mineral.
A presença de terras raras não significa, por si só, que Rondônia já tenha uma indústria de terras raras estabelecida e viável. São necessários estudos, testes de processamento, investimentos, licenciamento e comprovação da viabilidade econômica.
Oportunidade está além da extração
O maior desafio para Rondônia pode estar justamente em não repetir um modelo baseado apenas na retirada e exportação de matéria-prima como já ocorrem com outras minerações.
O Brasil iniciou, em 2026, estudos para construir uma Estratégia Nacional de Terras Raras, buscando desenvolver uma cadeia alinhada às políticas industrial, ambiental, de inovação e de transição energética.
O caminho mais estratégico para Rondônia seria aproveitar seus recursos minerais para estimular beneficiamento, processamento, tecnologia e formação de mão de obra especializada.
Quanto maior o grau de transformação realizado no próprio Estado, maior tende a ser o valor econômico capturado localmente. Mas isso depende de programa de governo e de interesse no sentido de propor mecanismo legais para atrair grandes investidores que possam colocar o ciclo completo da cadeia econômica para cada tipo de mineração.
Mineração já participa das exportações Rondônia alcançou a marca histórica de US$ 3 bilhões em exportações, segundo dados divulgados pelo governo estadual.
A pauta econômica estadual é amplamente dominada pelo agronegócio, especialmente soja e carne bovina, mas os minerais também participam do comércio exterior.
No primeiro quadrimestre de 2026, os minérios de estanho e derivados somaram US$ 15,11 milhões em exportações estaduais. Acontece que os processos de industrializam ficam em outros estados, onde a gereação de tributos, de emprego e renda são mais atrativos.
O número mostra que a mineração ainda está distante de representar a maior parcela das exportações de Rondônia, mas revela uma atividade com importância econômica e potencial de expansão. Enquanto o EStado concentrar apenas em exportar matéria prima,, o grande lucro da mineração continuará somando em outros estados onde possuem industrias.
Exportar a material prima gera pouca renda sendo que oo Estado fica apenas com o imposto de extração, o que representa pouco na cadeia econômica de minerais.
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