Saiba como o Brasil conquistou o ouro inédito no Mundial de Ginástica Rítmica em Frankfurt, quebrou a hegemonia europeia e garantiu vaga em LA28.
Foto: Reprodução
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A dimensão do feito é rara. Este é o primeiro título de um país das Américas na história do Mundial de Ginástica Rítmica, e apenas Brasil e EUA figuram no quadro de medalhas de todos os tempos.
O ouro na série de cinco bolas teve gosto de superação. O título veio justamente na prova em que o Brasil havia cometido uma falha grave no sábado, classificando-se em oitavo. Repetindo a escalação, o conjunto fez uma série difícil e limpa ao som de "Feeling Good", de Michael Bublé, e recebeu a nota de 29.450.
Por décadas, disputar de igual para igual com potências como Bulgária, Itália e Israel era tratado como utopia dentro do país. O desempenho do conjunto já apontava, na análise inicial, sinais claros de uma evolução técnica capaz de desafiar essas tradicionais referências do esporte mundial.
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Essa transformação tem endereço. "Quando assumi a seleção em 2011, me perguntaram qual era a nossa meta. Eu falei top 5. Achavam uma utopia, com a Europa anos-luz à frente", relembrou Camila Ferezin, treinadora do conjunto, ao Olympics.com. Segundo a técnica, o ponto de partida era ainda mais modesto: "Éramos a 26ª equipe do mundo. Existia um sonho enorme, mas também sabíamos o tamanho do caminho que precisaríamos percorrer."
A trajetória ajuda a medir o salto. Alguns marcos ilustram a progressão do conjunto nacional:
Você encontra mais detalhes desse percurso na cobertura de esportes olímpicos no Rondônia Ao Vivo.
Ferezin credita a evolução a fatores combinados. A comandante aponta o aumento do número de praticantes, a convivência com a equipe da ginástica artística, a mudança no código de pontuação e uma nova cultura do esporte. A continuidade do elenco também pesou: a experiência do conjunto, cuja base permaneceu após Tóquio, foi determinante, segundo a técnica.
O ouro não foi o único resultado relevante em Frankfurt. Um dia antes, no sábado, o Brasil já havia dado um passo estratégico decisivo para o ciclo olímpico.
O conjunto conquistou o bronze na competição geral do Mundial de 2026 e, com o pódio, assegurou vaga para os Jogos de LA28. A campeã Espanha e o vice-campeão Japão também obtiveram cotas olímpicas. Segundo dados da competição divulgados pela Confederação Brasileira de Ginástica, a base que subiu ao pódio reúne Maria Eduarda Arakaki, Sofia Pereira, Nicole Pircio, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves e Julia Kurunczi.
A qualificação precoce tem valor tático. Como os Comitês Olímpicos Nacionais, como o COB, têm autoridade exclusiva sobre a representação de suas equipes nos Jogos, a participação dos atletas em LA depende da seleção de seus respectivos CONs. Garantir a cota com antecedência oferece estabilidade ao trabalho técnico e previsibilidade ao financiamento.
A conquista já reverbera na base. A modalidade conta com o programa Bolsa Atleta, do Governo Federal, que beneficia 115 atletas da ginástica rítmica em todo o país, apoio considerado decisivo na formação de talentos.
Rumo a 2028, o Brasil chega em condição inédita: a de protagonista consolidado, e não de mero coadjuvante ocasional. O caminho até Los Angeles começa, agora, do lugar mais alto do pódio.
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