A Associação dos Ferroviários da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (ABFMM) denunciou abandono, ocupação irregular e aumento da criminalidade no entorno do complexo histórico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho. Em ofício encaminhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a entidade solicitou o desarquivamento de um processo de fiscalização e a adoção de medidas urgentes para garantir segurança no local, considerado um dos principais pontos turísticos de Rondônia.
O documento, enviado ao superintendente do IPHAN no estado, relata que prédios localizados no entorno da ferrovia foram saqueados e destruídos, passando a ser ocupado por pessoas apontadas pela associação como usuários de drogas. Segundo o relato, o local foi transformado em um ponto de apoio improvisado, com a instalação de uma barraca dentro da área abandonada.
Um pedido anterior foi arquivado pelo fato do IPHAN não conseguir mobilizar as partes governamentais que poderiam dar soluções definitivas para o problema de segurança e controle da população de rua na região central.
Comerciantes teriam sido ameaçados
A associação afirma que comerciantes que tentaram se estabelecer nas proximidades foram ameaçados e coagidos, o que teria levado muitos a desistirem da atividade no local. De acordo com o documento, vários deles evitaram registrar boletim de ocorrência por medo de represálias.
Após a saída desses comerciantes, os prédios teriam sido invadidos e saqueados, ampliando o quadro de degradação na área.
Turistas e comerciantes relatam crimes
Além da ocupação irregular, a associação relata que assaltos contra turistas que visitam o complexo histórico têm sido frequentes, embora muitos casos não sejam oficialmente registrados. Comerciantes do entorno também estariam sendo vítimas de arrombamentos durante a madrugada, com prejuízos recorrentes.
Segundo o documento, a situação tem provocado aumento da sensação de insegurança e prejudicado a imagem de um dos espaços turísticos mais simbólicos da capital.
Críticas à falta de ação
No ofício, a entidade afirma que o problema poderia ser amenizado caso houvesse ação para fechar o prédio abandonado ou responsabilizar os proprietários pelo imóvel, evitando a permanência de ocupações irregulares.
A associação também critica a ausência de medidas efetivas por parte do poder público, afirmando que a situação de insegurança no local se agrava com o passar do tempo.
Pedido de intervenção
Diante do cenário descrito, a ABFMM pediu que o IPHAN atue junto ao Ministério Público Federal e aos órgãos de segurança pública para adoção de providências. A entidade solicita medidas que garantam segurança aos visitantes da ferrovia e aos comerciantes da região, além de reforço na fiscalização da área protegida.
O entorno da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré possui proteção patrimonial federal, o que coloca parte da responsabilidade de fiscalização sob a supervisão do IPHAN. Para a associação, a falta de intervenção pode comprometer não apenas a segurança, mas também a preservação de um dos principais marcos históricos da Amazônia.