O Dia Internacional da Mulher, oficializado pela Organização das Nações Unidas em 1975, tem sido cada vez mais associado a um tema central para a igualdade de gênero: o empoderamento econômico. No Brasil, mulheres ampliaram presença no mercado de trabalho, conquistaram maior escolaridade e passaram a ocupar espaços estratégicos nas empresas e no empreendedorismo. Ainda assim, o desafio de transformar avanço educacional em poder econômico pleno permanece.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que mulheres ocupam atualmente 39,2% dos cargos gerenciais no país. Embora o número indique crescimento ao longo dos últimos anos, a participação feminina nos níveis mais altos das organizações ainda está distante da paridade.
Levantamento do Insper em parceria com o Instituto Talenses aponta que apenas 17,4% das empresas do setor privado possuem liderança feminina consolidada. Em conselhos de administração, a presença varia entre 10% e 20%, mesmo com a legislação que prevê cota mínima de 30% de mulheres nesses colegiados.
Entre companhias listadas na B3, o desequilíbrio também aparece nos cargos executivos: 55% das empresas não têm mulheres em diretorias estatutárias e 36% não contam com nenhuma conselheira.
Apesar dos obstáculos, especialistas avaliam que o avanço feminino na economia tem impacto direto na autonomia e no poder de decisão das mulheres. A ampliação da renda própria e do acesso ao crédito, investimentos e empreendedorismo amplia a capacidade de escolha e reduz dependências econômicas históricas.
O tema tem ganhado espaço também no mercado financeiro. Em debate promovido pelo E-Investidor, as executivas Dani Junco e Carolina Cavenaghi destacaram que a construção de independência financeira é um dos principais motores de transformação social para as mulheres.
Segundo as especialistas, o crescimento de iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino, educação financeira e investimento tem contribuído para ampliar a presença das mulheres no centro das decisões econômicas.
O cenário ainda revela desigualdades estruturais, mas aponta para uma mudança gradual: cada vez mais mulheres buscam não apenas espaço no mercado de trabalho, mas também controle sobre renda, patrimônio e decisões financeiras — elementos considerados fundamentais para a construção de autonomia e liderança econômica.