DEMITIDOS: Governo exonera mais de 500 profissionais de saúde em Porto Velho

Em um dos relatos obtidos, uma enfermeira afirma que já é possível sentir falta de profissionais nos hospitais: "não tem ninguém lá não"

DEMITIDOS: Governo exonera mais de 500 profissionais de saúde em Porto Velho

Foto: Ilustrativa

Mais de 500 trabalhadores emergenciais contratados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), foram exonerados na última terça-feira (14) em pelo menos cinco hospitais estaduais de Rondônia. A demissão foi uma surpresa para os profissionais.
 
Por esse motivo, eles estão planejando fazer uma manifestação, a partir das 10h, desta quarta-feira (15), em frente ao prédio da Sesau. Os profissionais afirmaram que irão cobrar, pelo menos, a celeridade no pagamento da rescisão contratual.
 
Contratados após o Decreto de Calamidade Pública devido a pandemia de Covid-19, a relação de exoneração tem enfermeiros, fisioterapeutas, auxiliar administrativo, médicos, biomédicos, farmacêutico, fonoaudiólogo, técnico de enfermagem, nutricionista, motorista, auxiliar de serviços gerais, técnicos em laboratórios e outros.
 
O que mais causa revolta nos profissionais não é a demissão em si, mas o fato de ela ter sido feita no meio do mês.
 
De acordo com uma enfermeira do Hospital de Base, a exoneração deles faltando 15 dias para o encerramento do mês, gera revolta porque o governo alega que estes dias trabalhados só serão pagos com a rescisão contratual que pode ser recebida com um ano após a demissão.
 
A gente já sabia que ia ser demitido, nosso contrato é emergencial, mas eles deveriam pelo menos nos avisar. Nós trabalhamos até o dia 14, esses dias trabalhados só vão ser pagos daqui um ano. Segundo eles, o governo não tem muitos profissionais para fazer os cálculos trabalhistas”, desabafou uma das profissionais, que pediu para não ser identificada. 
 
A enfermeira exemplifica ainda a demissão do Centro de Reabilitação de Rondônia (Cero), localizado na zona Leste, que durante o auge da pandemia se tornou Hospital de Campanha. “Vai acontecer que nem no Cero, eu fui demitida de lá e até agora não recebi nada da rescisão. Já fazem três meses que a gente foi mandado embora”, lamentou.
 
Em outro relato que a reportagem teve acesso, uma profissional pergunta se a outra enfermeira vai ficar de plantão nesta quarta-feira, no Hospital de Base e ela responde. “Não! Tô indo embora agora, não tem ninguém lá não”, afirma a mulher, dando a entender que vão faltar servidores para prestar assistência aos pacientes.
 
Coren repudia
 
O Conselho Regional de Enfermagem (Coren) emitiu nota repudiando a demissão em massa por parte do governo. Veja abaixo:
 
Os profissionais da Enfermagem estadual foram surpreendidos no final da tarde desta terça-feira (14) com a publicação de uma listagem com os nomes para demissão em massa de todos os enfermeiros e técnicos emergenciais contratados durante a pandemia.
 
Considerando o subdimensionamento de profissionais nas unidades hospitalares de Rondônia e o déficit que já existia antes do período pandêmico, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RO) avalia como absurda a decisão do governo estadual.
 
Com a demissão dos profissionais, escalas e setores sofrerão baixa expressiva e a assistência ficará alarmantemente comprometida, além de gerar maior sobrecarga aos servidores efetivos da Enfermagem do Estado, já exauridos pelos excessos de plantões e perdas salariais e emocionais.
 
O Coren Rondônia, prezando pela qualidade da assistência e o cumprimento da legislação da Enfermagem, irá fiscalizar as unidades de saúde estaduais e entrar com representação junto ao Ministério Público para evitar o iminente colapso que deverá se instalar no atendimento à saúde rondoniense.   
 
Sesau se posiciona
 
O Rondoniaovivo entrou em contato com a Sesau para explicar a decisão da demissão em massa. A pasta enviou o nota às 11h28, após a publicação da matéria. Veja abaixo:
 
Desde o início da pandemia, o Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), realiza medidas de combate ao coronavírus. Rondônia está há cinco meses sem fila de espera, comparado com o pico da segunda onda no dia 17 de março de 2021, quando 856 pacientes estavam internados e mais 170 na fila de espera, totalizando 1.024. Atualmente o Estado possui 69 pacientes internados com a covid-19, sendo 35 em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
 
Com a queda de internações, alguns contratos com servidores temporariamente (emergenciais) foram finalizados. A secretaria de saúde juntamente com a Superintendência Estadual de Gestão de Pessoas (Segep) esclarece que está dando prioridade no processo de rescisão dos profissionais.
 
 
Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

PRIMEIRA PÁGINA

ROVIVO TV

DESTAQUES EMPRESARIAIS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

COLUNAS