CADÊ A COMIDA? Kit alimentação entregue a alunos é motivo de indignação e vergonha em Rondônia

Só em 2020, o governo recebeu mais de R$ 16 milhões para alimentação escolar, mesmo os alunos estando estudando online

O Governo de Rondônia lançou, em abril do ano passado, o kit alimentação escolar para os alunos da rede pública estadual que estão cumprindo o ano letivo de forma remota, devido às medidas restritivas e o perigo de contágio pelo coronavírus. 
 
No anúncio do governo, faziam parte dos alimentos do kit, itens como: bolacha água e sal, leite UHT, macarrão, óleo de soja, laranja, banana prata, abobora e iogurte. O valor total era de R$ 43,20 por aluno. Também seriam entregues peixes (processados na forma de filé). 
 
Na teoria o plano estava atendendo as necessidades das famílias que tinha alunos matriculados nas escolas. Porém, na prática a história parece estar bem diferente.
 
Relatos de mães reclamando dos alimentos que foram entregues pelas escolas estaduais, estão se espalhando nas redes sociais, em Porto Velho.  
Uma mãe, que pediu para não ser identificada pelo nome, fez um vídeo denunciando essa situação. Nas imagens, ela conta que foi na Escola Risoleta Neves, zona Leste, na última terça-feira(11), buscar o kit a que o filho tem direito, quando teve uma desagradável surpresa.
 
 
Ao contrário do que foi anunciado pela Secretaria Estadual de Educação, a cesta de alimentos constava apenas 8 tomates, 2 aboboras, laranjas, 1 palma de banana e chuchu. E, como se não bastasse, todos os ingredientes estavam verdes.
 
 
Isso aqui que eles doaram para a gente, frutas verdes. Ou seja, não tem uma banana madura para a criança comer. Muitos pais que estavam lá na escola, esperavam receber óleo, feijão, arroz, mas recebemos isso”, declarou a mãe indignada.
 
Frutas podres
 
Um outro relato, este feito por uma mãe que tem filhos matriculados na Escola Flora Calheiros, também localizada na zona Leste, da capital, também denuncia a distância entre o que prega o Governo do Estado e o que, de fato, está ocorrendo. Nessa escola também foram distribuídas cestas de alimentos, contendo apenas frutas, sendo que em péssimo estado de conservação, gerando revolta e um sentimento de humilhação.
 
“Olha essas frutas. Banana estragada, mamão estragado, esse limão aqui que eu tenho certeza de que não é desse limão que vem para as escolas. Abobora podre. Isso é um absurdo! Isso é uma vergonha para as autoridades da nossa cidade. Cadê o restante das merendas dos alunos? Arroz, feijão e macarrão. Isso é revoltante!”, desabafou.
 
Governo não soube explicar
 
O Rondoniaovivo procurou a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), para cobrar um posicionamento sobre essa situação. A informação repassada pelo órgão foi a de que existe um cronograma de cada escola, e as frutas são entregues através da agricultura familiar. 
 
Quanto aos outros produtos que formam a cesta de alimentos perecíveis distribuídas aos estudantes, foi informado apenas que a entrega obedece a uma programação. No entanto, não souberam informar quando ocorrerá a distribuição desses itens alimentares.
 
O secretário Estadual de Educação, Suamy Vivecananda, também foi contactado pela reportagem. Ele disse que frutas estão sendo entregues verdes porque se forem disponibilizadas maduras apodrecem rápido. 
 
Dinheiro enviado pelo Governo Federal
 
Os recursos para compra desses produtos alimentícios, que são distribuídos às escolas da rede estadual de ensino em RO, são adquiridos através do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE, do Governo Federal, e repassados para os estados e municípios. 
 
Em Rondônia, o recurso destinado a Seduc, no ano de 2020, foi de R$ 16.156.557,60 (dezesseis milhões, cento e cinquenta e seis mil, quinhentos e cinquenta e sete reais e sessenta centavos), segundo dados do Governo Estadual. Conforme a Lei nº 11.947, de 16/6/2009, 30% desse valor tem que ser investido na agricultura familiar. 
 
Esse dinheiro é fiscalizado pelos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE), Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público.
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