COVID-19: Somente indígenas que vivem nas aldeias têm direito a vacinação em RO

Essa política é criticada por ambientalista, que afirmam que os indígenas que moram nas cidades circulam nas aldeias, podendo levar o vírus a esses locais

COVID-19: Somente indígenas que vivem nas aldeias têm direito a vacinação em RO

Foto: Divulgação

 

Uma nova preocupação está tomando conta de indígenas e de pessoas envolvidas com a causa indígena em Rondônia. O motivo é a política do atual governo brasileiro de vacinar contra a covid-19 somente os indígenas que estejam nas aldeias.

 
Segundo a ativista ambiental, Neidinha Suruí, que está à frente da organização Kanindé, que tem uma forte atuação na causa indígena no Estado, a imunização está ocorrendo nas aldeias, mas destaca que essa política de combate a covid-19 está errada.
 
A imunização está ocorrendo nas aldeias de RO, apenas para quem mora nas aldeias
 
As vacinas estão chegando para os indígenas que vivem nas aldeias, mas não para os que estão na cidade. Ocorre que eles estão na cidade, para estudar, vender seus produtos e tem os que perderam suas terras para invasores, mas se deslocam para as aldeias constantemente. Isso, especialmente, nos finais de semana, nas férias escolares ou diversas outras ocasiões. Muitos têm suas casas e familiares nas aldeias, de modo que podem se transformar em fontes de transmissão do coronavírus e infectar toda uma comunidade“ alertou.
 
 
Conflito de terras
 
Como se não bastasse, Neidinha contou que na última semana, na quarta-feira (17), a segunda vacinação contra a covid-19, só ocorreu no interior da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau na aldeia Alto Jamari devido ao apoio da Polícia Militar, que fez a escolta da equipe de saúde da Casai (Casa de Saúde Indígena) de Jaru e da equipe da Kanindé.
 
A razão para a PM ser acionada se deveu ao fato de a aldeia Alto Jamari, localizada na região de Ariquemes, estar no meio de um perigoso conflito por terras. Para chegar até a aldeia, é preciso percorrer uma estrada de terra que passa dentro da “Fazenda do Amorim”, pertencente ao ex-senador Ernandes Amorim. Essa fazenda foi invadida recentemente por posseiros, dando início a uma disputa que se acirrou nas últimas semanas.
 
A PM apreendeu armas com envolvidos nos conflitos na Fazenda Amorim, na região de Ariquemes, que fica próxima a aldeia dos indigenas Uru-Eu-Wau-Wau
 
Por conta do conflito, a aldeia Alto Jamari ficou isolada. O local estava há dias sem receber alimentos e remédios, além da insegurança provocada pelas trocas de tiros e pela falta de energia entre funcionários da fazenda e posseiros. Para Neidinha, o que está acontecendo mostra uma das dificuldades por que estão passando os grupos indígenas no Brasil.
 
 
A equipe da Kanindé, que trabalha a anos com os Uru-eu-wau-wau, levou também alimentos, remédios, produtos de limpeza, álcool 70 e combustível para que os indígenas pudessem ligar o motor de luz da aldeia e se comunicar caso acontecesse algo.
 
Essa situação é mais uma amostra de como os povos indígenas estão fragilizados e sem acesso a direitos básicos. Os Uru-Eu-Wau-Wau estão muito vulneráveis no meio dessa disputa, que não tem nada a ver com eles, mas sofrem as consequências desse conflito. Imaginem ficar isolado e sem conseguir alimentos por conta de uma briga ocorrida ali ao lado? Ter a energia cortada, não poder se locomover por medo de levar tiros? Já não basta o coronavírus?”, desabafou.
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J G Dalmeida

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