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ANIVERSÁRIO DA CAPITAL: Espaços históricos ilustram o desenvolvimento de Porto Velho em 106 anos

Capital de Rondônia fica às margens do Rio Madeira, o maior afluente da margem direita do Rio Amazonas

GOVERNO DE RO

02 de Outubro de 2020 às 09:55

Atualizada em : 04 de Outubro de 2020 às 09:47

Foto: Divulgação

Os 106 anos de criação de Porto Velho acontecem em ano atípico. A mais extensa capital estadual do País, com aproximadamente 600 mil habitantes, é atualmente o município mais populoso do Estado de Rondônia [caminhando para dois milhões de habitantes] até o final da década atual.
 
A pandemia mundial da Covid-19 impede atos festivos e até visitações a museus e memoriais, impossibilitando a busca de conhecimentos onde a história repousa.
 
Em tempos normais, no Museu da Memória [antigo Palácio Presidente Vargas] as pessoas podem manusear coleções de jornais impressos e mapas confeccionados por engenheiros da antiga Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). A riqueza arqueológica ali guardada, e cujos estudos vêm avançando, tem peças avaliadas em 45 mil anos.
 
O pátio onde se encontra a antiga estação central da ferrovia vem sendo reconstruído e remodelado desde 2019 pela Prefeitura, entretanto, a maior parte das obras só deverá ser concluída depois de 2021.
 
Um dos mapas do Museu da Memória revela que o traçado da cidade veio concebido desde os Estados Unidos. O espaço descrito no mapa ia da barranca do rio Madeira até a rua Joaquim Nabuco.
 
A partir da década de 1960 começou a expansão, que veio se consolidar em meados dos anos 1970, rumo ao imenso mato onde surgiram bairros, como o Nova Porto Velho.
 
“A instalação ocorreu em 24 de janeiro de 1915, a posse do prefeito e de intendentes aconteceu na casa de Manoel Félix, na Rua dos Portugueses”, lembra a escritora, professora e acadêmica de letras, Yêdda Pinheiro Borzakov.
 
Entre os municípios brasileiros, é o 46° mais populoso; entre as capitais, a 21ª. A cidade é banhada pelo rio Madeira, o maior afluente da margem direita do Rio Amazonas.
 
Tem Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 7,5 bilhões e responde por cerca de um terço do PIB de Rondônia, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base em levantamentos de 2010.
 
Sua renda per capita havia alcançado R$ 27,7 mil naquele período. Seu porto organizado já permite exportações de alto valor, especialmente de grãos produzidos aqui, a estados vizinhos, e ao Departamento do Beni, na Bolívia.
 
 
O pátio onde se encontra a antiga estação central da ferrovia vem sendo reconstruído e remodelado
 
Museus
 
Os principais caminhos na Capital de Rondônia levam os moradores locais ou visitantes rumo às salas da História. Dois museus e o único mausoléu [Jorge Teixeira] estão momentaneamente fechados devido à pandemia
 
A sete quilômetros do Centro, no bairro Santo Antônio, o Museu Rondon abriga uma série de peças e documentos que lembram a expedição do marechal Cândido Mariano Rondon na extensão da linha telegráfica desde Mato Grosso. Ali estão uma velha canoa, lembrando “caminhos que andam”; e a roda na qual se amarravam os fios telegráficos, tendo ao lado a inscrição “a sonda do progresso”, conforme definição do Marechal.
 
No salão principal há réplicas de postos telegráficos originais que funcionaram ao longo da estrada que mais tarde seria a rodovia BR-29 e depois BR-364. Uma tela original a óleo pintada por Giuseppe Boscagli, doada pela família Rondon Amarante, soma-se a diversas referências à etnias. Povos indígenas que Rondon amou, ali são lembrados: Parecis, Nambikwaras, entre eles.
 
Público em geral e estudantes têm nesse museu a oportunidade de aprender mais a respeito da identidade e a vida de Rondon, que foi engenheiro, militar, professor de matemática, ciências físicas e naturais, descobridor de rios, montanhas, jazidas minerais e depósitos de metais.
 
O museu ainda apresenta exposições divididas em partes: na cinefotobiográfica, há painéis fotobiográficos, fotos raras de família, a carta do cientista Einstein indicando Rondon para o Prêmio Nobel da Paz, máquinas fotográficas antigas, livros raros, um quadro e fotos de jogos indígenas.
 
E mais: um exemplar do livro “Índios do Brasil”, editado em três volumes pelo Ministério da Agricultura; um painel gigante com mais de cinco metros, reconstituindo a foto histórica de 1927 da fronteira Brasil-Venezuela, durante a última inspeção de fronteiras feita pelo Marechal. E muitas fotos de Dana Merril, fotógrafo norte-americano que veio contar em imagens a histórica construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
 
Memorial Jorge Teixeira
 
Também prejudicado pela pandemia, o Memorial Jorge Teixeira é outro lugar a ser visitado depois destes 106 anos de história do Município. Ele fica na antiga residência oficial do Governo, na rua José do Patrocínio. Ali morou Teixeirão, o último governador do Território Federal de Rondônia e o primeiro do novo Estado.
 
Antigo Palácio Presidente Vargas, hoje Museu da Memória
 
Segundo relata a historiadora, escritora e acadêmica de letras Yêdda Pinheiro Borzacocv, essa casa foi construída em 1949 e coube ao coronel Jorge Teixeira de Oliveira reformá-la quando assumiu o governo territorial, em 1979.
 
Até janeiro de 2020 ele era cuidado diariamente pela jornalista Cida Souza, que veio a falecer naquele mês. Nos meses seguintes, a responsabilidade foi transferida para  Yêdda Borzacov, que pouco tempo depois viu chegar a pandemia. Planos de melhoria dessa casa foram adiados, incluindo a recuperação de fotos em preto e branco.
 
Rio Madeira, o 17º maior do mundo em extensão 
 
Amplamente divulgado em sites de turismo, o rio Madeira é a maior de todas as atrações do município aniversariante. É visto do alto, em solo em sua exuberância. Em períodos normais no inverno e no verão amazônicos, barcos de turismo levam as pessoas a passeios inesquecíveis. Os barcos se aproximam da Usina Hidrelétrica Santo Antônio e da ponte sobre o rio, na área dos depósitos de combustíveis e do porto organizado da Capital.
 
Ele nasce com o nome de rio Beni, na Cordilheira dos Andes, na Bolívia. É o maior afluente da margem direita do rio Amazonas, corre por 3.315 km, o que o classifica como o 17º maior do mundo em extensão.
 
Habitado por uma subespécie de boto, esse rio é fenomenal: no intervalo das estações chuvosa e seca, apresenta variação de profundidade. Na estação seca, as águas do rio, que fluem em direção ao Amazonas, formam praias [de água doce, naturalmente] ao longo de suas margens. Nesse período, avistam-se muitas pedras no seu leito, e elas ajudam a formar corredeiras periódicas.
 
Mercado Cultural Remodelado 
 
Reaberto em 2019, após ser reformado, o Mercado Cultural é o principal point da cidade. Sua reconstrução manteve a maior parte da arquitetura do original Mercado Municipal de Porto Velho. Além de shows com artistas regionais nos fins de semana, agora tem restaurante e seu espaço está aberto a eventos culturais.
 
Desde as comemorações dos 105 anos de instalação do município, em 2019, ele voltou a ser muito bem visitado, porém, ficou paralisado na maior parte dos meses da pandemia.
 
Reconstrução manteve a maior parte da arquitetura do original Mercado Municipal de Porto Velho
 
O escritor Antônio Cândido da Silva lembra a situação antiga do prédio: “O Doutor Joaquim Augusto Tanajura que substituiu o Major Guapindaia em 1º de janeiro de 1917, mandou demolir o prédio alegando a necessidade de se construir um prédio de grande porte. O Doutor Tanajura não conseguiu realizar o seu intento, porque o seu gesto desagradou o povo que lhe negou apoio”.
 
E acrescenta: “O superintendente Tanajura buscou apoio financeiro com o Governo do Amazonas tendo conseguido autorização através da Lei nº 903, de 31 de agosto de 1917, que autorizava o município a contrair um empréstimo no valor de (Rs.300.000.000) trezentos contos de réis. Essa obra durou 33 anos para ser concluída em definitivo e só foi inaugurada pelo prefeito Ruy Cantanhedes, em 1950. Infelizmente um incêndio destruiu nosso antigo mercado em 1966”.  O escritor se refere ao prédio com arquitetura mais antiga do que a atual.
 
Catedral do Coração de Jesus, rica em pinturas 
 
Conta o padre diocesano Fernando Pinto da Silva, da Arquidiocese de Porto Velho, que a Catedral do Sagrado Coração de Jesus, é muito bem frequentada por fiéis católicos e demais cristãos, e por visitantes à Capital.
 
Telhas para a cobertura chegaram a Porto Velho em 8 de janeiro de 1929, a bordo do navio Madeira-Mamoré
 
É romana por fora e gótica por dentro. Fica no antigo bairro Caiari, hoje parte do Centro Histórico de Porto Velho.
 
“Apesar de ter tido sua pedra fundamental lançada em 3 de maio de 1917 — presentes o Bispo do Amazonas, Dom João Irineu Joffily, e o superintendente municipal, Joaquim Augusto Tanajura — somente em 1927 a catedral teve sua construção definitiva efetivamente iniciada”, ele relata.
 
Em agosto de 1927, o padre Peixoto, então secretário geral da Prelazia de Porto Velho, delegou poderes a uma comissão formada pelos senhores Prudêncio Bogéa de Sá, como presidente, Francisco Alves Erse, engenheiro da EFMM, e José Centeno, comerciante, para administrar as obras de construção do novo templo. Já em 26 de setembro de 1927 foi iniciada a abertura das covas dos alicerces da nova catedral. Os trabalhos seguiram com dificuldades, embora contando com o auxílio direto da população e de autoridades laicas. Logo passaram a contar com o apoio incansável do padre João Nicoletti, cujo nome foi atribuído à praça do Paço Municipal, em frente à Catedral, e tem seu túmulo no interior do templo”.
 
Ainda conforme o padre Fernando Pinto, as telhas para a cobertura chegaram a Porto Velho em 8 de janeiro de 1929, a bordo do navio Madeira-Mamoré, e foram transportadas desde o porto até o local da obra pelos marinheiros e moradores. As pinturas originais de cunho religioso no interior da Catedral são de autoria do padre Ângelo Cerri e do artista Afonso Ligório. Os vitrais que a circundam, com temas da Via Sacra, foram todos doados pela comunidade porto-velhense.
 
Modernamente, a artista Rita Queiroz fez algumas restaurações e incluiu uma obra sua. Nesse período inicial, foi construída apenas a parte que hoje corresponde à nave central e o campanário. Somente a partir de 1945 foram feitas as obras de expansão, surgindo o novo altar e suas laterais.
Direito ao esquecimento

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