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GENOCÍDIO: Ativista ambiental diz que Covid-19 está se alastrando entre índios em RO

Ela afirmou que num espaço de 20 dias 10 Cintas-Largas morreram vítimas da doença

Rondoniaovivo - Ivan Frazão

08 de Agosto de 2020 às 08:59

Atualizada em : 08 de Agosto de 2020 às 09:00

Foto: Divulgação

O covid-19 chegou com força, não apenas nas cidades rondonienses, mas também nas aldeias indígenas de nosso estado.  Segundo Ivaneide Bandeira Cardoso, conhecida como Neidinha da Kanindé, o vírus está levando medo e insegurança a essas comunidades. Kanindé é uma organização que trabalha com a preservação ambiental e a proteção dos povos indígenas na região amazônica, em especial, no estado de Rondônia.

 

“O quadro que temos hoje nas aldeias de Rondônia em relação ao coronavírus é terrível. Hoje, quatro aldeias Suruís estão com o Covid-19. Tenho a informação que num período de 20 dias, 10 índios Cintas-Largas morreram por essa doença. Isso significa que 10% dessa população morreu. Essas mortes não ocorrerão nas aldeias, mas em hospitais de Cacoal e Cuiabá, onde foram levados pelo Dsei”, disse.

 

Dsei é o Departamento Sanitário Especial Indígena, pertencente ao Governo Federal, e responsável por prestar assistência de saúde aos povos indígenas no Brasil. Neidinha afirmou também que esses indígenas mortos pela Covid-19, estão sendo enterrados nas terras deles, seguindo alguns rituais, mas sem abertura dos caixões e sem aglomeração, justamente para evitar a propagação da doença.

 

Para Neidinha, a falta de testes nas aldeias é um fator que contribui para o avanço da Covid-19 entre a população indígena de Rondôni

 

Perguntada quanto ao número de contaminados nas aldeias rondonienses, Neidinha afirmou que não é possível dar essa informação. O motivo seria a falta de testes suficientes por parte do Dsei para ser feito em todas as comunidades.

 

“Qualquer dado que dermos sobre isso, não é certo. O que sabemos é que o Covid-19 está se alastrando nas terras indígenas. Hoje temos 16 mortes, e isso é muita gente”, declarou.

 

Apesar de todas as dificuldades, Neidinha reconheceu o trabalho desenvolvido pelos servidores do Dsei. “Eu tenho acompanhado o Dsei e há um esforço dos funcionários para atender as comunidades. O problema é que não tem funcionários suficientes, medicamentos suficientes ou o mínimo, que são tocas e aventais. Além disso, não tem testes suficientes. Na minha opinião, todos os funcionários deveriam fazer os testes, para que não se transformem em vetores e levem a doença para as aldeias. Mas sei do esforço deles e das dificuldades do Dsei”, finalizou.    

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