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Sem atendimento mulher tem morte cerebral no HB em Porto Velho

Após o atendimento de urgência inicial, ela foi encaminhada até o Hospital de Base Ary Pinheiro, isso já na tarde do dia 03 de julho (Quarta-feira). No local a paciente necessitava urgentemente de uma intervenção cirúrgica, porém um exame deveria ser real

Da Redação

08 de Julho de 2013 às 10:42

Foto: Divulgação

Um caso que envolve negligência médica, falta de estrutura mínima na rede pública hospitalar e até vias de fatos, pode ser o cenário que resultou na constatação de morte cerebral da vendedora portovelhense, Vânia Rodrigues Lopes, enquanto agonizava aguardando uma cirurgia de emergência nas dependências do Hospital de Base Ary Pinheiro, localizado em Porto Velho.

De acordo com o marido da vitima, o mecânico Valdemir de Souza, o drama vivido pela sua família começou no ultimo dia 30 de junho (domingo), segundo ele, sua esposa começou a passar mal dentro de casa, sem ter ideia da gravidade do problema ele encaminhou Vânia até a policlínica Ana Adelaide, onde o médico de plantão simplesmente realizou um breve atendimento de pouco e mais de um minuto e medicou a paciente, que foi liberada logo em seguida.

Após o atendimento na policlínica Vânia retornou para casa, onde já na terça-feira (02 de julho) voltou a passar mal e novamente foi até a policlínica localizada no bairro Pedrinhas em Porto Velho. Enquanto estava sendo medicada Vânia desmaiou e começou a apresentar um quadro convulsivo.

“O médico ficou paralisado, parecia estar assustado com a situação da minha mulher, foi a enfermeira que chegou e falou que ela aparentava estar sofrendo de uma crise de aneurisma cerebral”, disse Valdemir.

Desse momento em diante cada minuto para Vânia seria de uma intensa angustia em busca de uma intervenção cirúrgica. Logo ao chegar ao Pronto Socorro João Paulo II, a vitima ficou aguardando atendimento em um leito improvisado no corredor da unidade de saúde.

Após o atendimento de urgência inicial, ela foi encaminhada até o Hospital de Base Ary Pinheiro, isso já na tarde do dia 03 de julho (Quarta-feira). No local a paciente necessitava urgentemente de uma intervenção cirúrgica, porém um exame deveria ser realizado antes do procedimento.

“O médico veio e me disse que era preciso realizar uma operação urgente, porém não tinha o equipamento necessário para realizar esse procedimento. Ele ainda me disse que era para eu procurar os jornais afim de que exigisse essa cirurgia, pois a minha mulher não sobreviveria muito tempo se algo rápido não fosse realizado”, falou Valdemir.

Desesperado, Valdemir vai até o diretor da policlínica, o médico Luis Eduardo Maiorquim, implora para que seja realizado o exame, porém Valdemir é informado que a unidade não possui o equipamento necessário para a análise clinica.

“Falei para o diretor que o médico havia me informado a situação e que iria procurar os jornais para denunciar o crime que estava acontecendo contra a minha mulher que agonizava naquele momento. Mesmo assim nada foi feito e o turno do médico acabou sem que a cirurgia fosse realizada”, explanou Valdemir.

Na manhã do dia 04 de julho, inexplicavelmente os equipamentos surgem na unidade de saúde e a mulher de Valdemir realiza o exame, porém o mesmo médico que havia informado a urgência da cirurgia chega ao seu plantão e constata que já era tarde, Vânia já estava com morte cerebral.

“Eu não entendi o motivo de não terem feito esse exame que minha mulher necessitava para realizar a cirurgia no momento em que era preciso. Esperaram ela morrer para que isso acontecesse”, falou Valdemir.

Indignados com a notícia os dois filhos de Vânia perdem o controle e passam a agredir o médico dentro da unidade de saúde.

A denuncia foi protocolada no Ministério Público do Estado de Rondônia e a ocorrência registra na 2º Delegacia de Polícia Civil de Porto Velho.

A equipe de reportagem do Rondoniaovivo entrou em contato com a secretaria do gabinete da diretoria do Hospital de Base, porém o diretor não se encontrava. Também foi realizado tentativa frustrada de contato com a assessoria de imprensa da SESAU (Secretaria de Saúde).

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