Rondônia encerrou sua participação nos Jogos da Juventude 2026, em Foz do Iguaçu (PR), com quatro medalhas: uma de ouro, uma de prata e duas de bronze, conquistadas em três modalidades. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (4), representa conquistas importantes para o esporte escolar do estado. Mas, diante dos problemas registrados antes e durante a competição, uma pergunta permanece: e se todos os atletas convocados tivessem conseguido viajar e competir em condições adequadas?
O balanço oficial aponta que Mahdi Habibi, de Ji-Paraná, conquistou a medalha de ouro no wrestling; Guilherme dos Santos, de Porto Velho, ficou com a prata no triatlo; e Felipe Souza, também da Capital, garantiu duas medalhas de bronze no ciclismo, nas provas de velocidade e resistência. Ao todo, a delegação contou com 197 integrantes, entre estudantes-atletas, técnicos e equipe de apoio.
O desempenho merece reconhecimento, mas não elimina os questionamentos sobre oportunidades perdidas. Antes da competição, atletas de diferentes municípios ficaram de fora após problemas nos procedimentos de inscrição e convocação. Entre os casos estão Julia Freitas Vieira, de Vilhena; Thaila Nayara, de Cerejeiras; Isadora Nobre, de Porto Velho; e Katharina Emília Bragado de Lima Pontes, de Guajará-Mirim, que relataram problemas administrativos que impediram sua participação. A Seduc apresentou justificativas para os casos, mas as explicações foram contestadas por familiares e treinadores. Também houve problemas na viagem da equipe feminina de handebol do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), de Cacoal, prejudicada pela emissão de passagens com datas incorretas.
A equipe de handebol conseguiu participar, mas chegou a Foz do Iguaçu poucas horas antes da estreia. O erro nas passagens provocou uma parada não programada em Porto Velho e obrigou a alteração do horário da partida para evitar que as atletas perdessem o jogo por W.O. O planejamento previa a chegada antecipada para garantir descanso e preparação antes do primeiro confronto.
E se as condições fossem diferentes?
As quatro medalhas conquistadas por Rondônia vieram do wrestling, do triatlo e do ciclismo. Já nas modalidades relacionadas aos problemas de convocação e logística atletismo, natação, lançamento de disco e handebol o estado não conquistou medalhas.
Isso não significa que os atletas impedidos de viajar ou prejudicados pela logística certamente alcançariam o pódio. Não há como afirmar qual seria o desempenho de cada um diante dos adversários de outros estados. Mas também não há como conhecer os resultados que poderiam ter obtido se tivessem participado da competição.
E se Julia tivesse disputado os 100 e 200 metros? E se Thaila tivesse participado dos 3.000 metros? E se Isadora tivesse nadado as provas para as quais afirma ter se classificado? E se Katharina tivesse levado seu lançamento de disco para a disputa nacional? E se a equipe de handebol tivesse chegado com antecedência, descansada e seguindo o planejamento original?
São perguntas sem resposta. O que se sabe é que alguns estudantes não tiveram a oportunidade de demonstrar, na competição nacional, o resultado de sua preparação. No handebol, a equipe entrou em quadra, mas enfrentou uma estreia em condições diferentes das previstas.
O balanço de quatro medalhas registra as conquistas dos atletas que representaram Rondônia e merece reconhecimento. Ao mesmo tempo, não encerra a discussão sobre os problemas administrativos e logísticos que marcaram a participação da delegação.
A questão não é afirmar que o estado teria conquistado mais medalhas, mas reconhecer que oportunidades foram perdidas ou prejudicadas e que os resultados poderiam ter sido diferentes. O que Rondônia deixou de conquistar ou de descobrir sobre o potencial de seus jovens atletas porque nem todos conseguiram competir nas condições previstas?
Essa é uma dúvida que ficará associada à participação de Rondônia nos Jogos da Juventude de 2026. Independentemente de qualquer possibilidade de medalha, os estudantes tinham o direito de chegar à competição e mostrar o que eram capazes de fazer.
E fica aqui questionamentos de minha parte, pois cansei de ser voz solitária em torno dessa causa: onde estão nossos deputados, nossos dirigentes esportivos e as autoridades que deveriam acompanhar e cobrar providências sobre o esporte escolar de Rondônia? Por que ninguém se manifesta? Cansei de procurar. Procurei parlamentares, representantes do esporte e pessoas que têm voz, espaço e alcance para tratar do assunto.
Mas o que encontrei foi silêncio. Ninguém vai cobrar explicações da Seduc? Ninguém se sente responsável por defender esses atletas e suas famílias? É difícil aceitar que situações como essas aconteçam e que, justamente de quem poderia cobrar respostas, não venha nenhuma manifestação. Afinal, quem vai dar voz a esses estudantes que tiveram sua oportunidade prejudicada?