EMERGÊNCIA RADIOATIVA: Minissérie mostra o horror da tragédia do Césio 137 - Por Marcos Souza

Independente da polêmica, assista: é uma minissérie muito bem feita e impressionante

EMERGÊNCIA RADIOATIVA: Minissérie mostra o horror da tragédia do Césio 137 - Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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A Netflix disponibilizou em seu catálogo, desde a semana passada, a minissérie “Emergência Radioa-tiva”, que retrata de forma correta e incisiva o acidente com o Césio-137 (137Cs), ocorrido em Goiânia, a partir da data de 3 de setembro de 1987, no que foi considerado o maior desastre radioativo do Brasil e do mundo fora de usinas nucleares, classificado como nível 5 na Escala Internacional de Aci-dentes Nucleares.
 
A minissérie, criada por Gustavo Lipsztein, com produção da Gullane, é um dos trabalhos mais bem feitos e mais bem estruturados narrativamente dentro da produção televisiva brasileira  num padrão alto , até na reprodução de época, com detalhes impressionantes, como os veículos da época, uso de viaturas, logotipos, direção de arte e desenho de produção com cenários.
 
Ainda assim, foi criticada por alguns personagens reais que viveram a tragédia na época, ou por pa-rentes de familiares envolvidos ou citados na minissérie, afirmando que alguns fatos narrativos mostrados não condizem com a realidade. Aí, nesse caso específico, vale dizer que é um produto baseado em fatos reais, mas que, em sua estrutura narrativa como drama, acrescenta, como é natural, diálogos, ações individuais de personagens, conflitos e apelo emocional como um produto ficcional de entrete-nimento, ainda que o seu teor seja verdadeiro.
 
 
Por isso, dar ganchos e ter um apelo dramático no conflito, ou confronto de personagens, sejam víti-mas, autoridades, médicos ou pessoas comuns, não vai ser uma adaptação literal do que houve; no entanto, se dedica a dar coerência. E digo que funciona muito bem, e o esmero da produção deixa tudo imersivo e estruturalmente coeso com mistério, suspense, reviravoltas e um final seco, mas impactante.
 
Vejamos o resultado disso, que é pontuado em cinco episódios bem fechados, com ganchos que moti-vam o espectador a passar por emoções como pena, ódio e resignação pelos personagens. A tragédia resultou em quatro mortes oficiais nas semanas seguintes após o incidente  quando foi retirada de uma cápsula de chumbo um pó azul que brilhava no escuro pelo dono de uma empresa de ferro-velho.
 
As pessoas que tiveram acesso a esse produto, ou circularam em outros locais contaminados, acaba-ram gerando em centenas de pessoas a contaminação, confirmada após um trabalho rigoroso da Comissão Nacional de Energia Nuclear, junto com a Secretaria Estadual de Saúde de Goiânia, resultando em mais de 112 mil pessoas monitoradas e gerando cerca de 6 mil toneladas de lixo radioativo (roupas, entulhos, móveis), armazenadas em contêineres em Abadia de Goiás.
 
A minissérie tem o capricho de não enrolar e ir direto ao ponto, fatos e dramas, pontuando como um thriller de suspense.
 
Na cidade de Goiânia, em 1987, dois catadores entram em um hospital de radiologia abandonado pro-curando objetos de valor e encontram uma cápsula de chumbo de um velho aparelho de raio X des-montado numa sala e a levam para vender em um ferro-velho de um conhecido, Evenildo (Bukassa Kabengele), que resolve desmontar e acha um pó azul misterioso (137Cs), que brilha no escuro. Fas-cinado pelo que encontrou, ele resolve levar para a sua casa e mostrar para a família e vizinhos, sem saber que se tratava de um produto altamente radioativo.
 
 
Com isso, Evenildo se contamina e espalha o mal para a sua esposa Antônia (Ana Costa), os irmãos João (Alan Rocha) e Darlei (William Costa), a cunhada Catarina (Marina Merlino) e também a peque-na Celeste. Após dez dias com o pó em casa, Antônia, junto com um afilhado, resolve ir de ônibus levar o produto até a Agência de Vigilância Sanitária, pois, desde quando o marido descobriu o pó e o levou para casa, ela e membros da família vêm sentindo mal-estar, enjoo e dores no corpo.
 
Conhecemos o personagem Márcio (Johnny Massaro, muito bem no papel), um jovem formando em física nuclear, que está em Goiânia para visitar o pai no dia do seu aniversário, e a sua esposa, Bianca (Júlia Portes) que descobre estar grávida , que vai acabar se envolvendo sem querer no caso do Césio 137 quando um amigo médico liga para ele solicitando que investigue o produto que foi deixa-do no prédio da Vigilância Sanitária da cidade, pois a mulher que o levou tem suspeita de contamina-ção radioativa.
 
Indo verificar como um favor, leva um aparelho medidor de radioatividade, o cintilômetro, só para descobrir que, de fato, o produto confirmou a presença de níveis perigosos de radiação, desencadeando uma corrida contra o tempo para identificar as pessoas envolvidas, os locais afetados por essa con-taminação e, para piorar, tentar deter a propagação e salvar vidas.
 
Com a ajuda da Comissão Nacional de Energia Nuclear, através de seu diretor, Benny Orenstein (um envelhecido e eficiente Paulo Gorgulho), físico experiente, e de dois médicos especializados, Eduardo (Antonio Saboia) e Loureiro (Luiz Bertazzo), tem-se início uma maratona de luta para conter e enfren-tar o acidente radioativo mais intenso já registrado no Brasil.
 
Cada episódio vem trazendo, em ordem cronológica, como sucedeu o incidente e, em alguns momentos, recorre ao flashback para relatar a origem do contágio da família de Evenildo e o processo de como o pó circulou nas mãos daquelas pessoas.
 
 
A urgência da tragédia permite que cada episódio tenha ganchos muito bem estruturados e colocados em pontos-chave da história, sem perder o seu impacto pelo valor histórico do ocorrido e dar coerên-cia narrativa às emoções provocadas nos principais personagens gerando todo o conflito e até por ser um caso inédito no país. 
 
A minissérie foca na luta dos membros da Comissão em lidar com o governador de Goiás e com autoridades para que sejam abertos protocolos até então inéditos no enfrentamento dessa crise nuclear urbana.
 
“Emergência Radioativa” não deixa de trazer manipulação emocional e, por vezes, acredito que se contém em algumas sequências de alto teor dramático. O drama que se estende aos membros da famí-lia de Evenildo em aceitar o tratamento, lidar com médicos e o isolamento no hospital, por exemplo.
 
Indico a minissérie como acerto da Netflix em produzir e disponibilizar em seu catálogo esse produto muito bem feito e, de certa forma, respeitando o valor histórico de uma tragédia que mobilizou o país.
 
Vou ressaltar um detalhe polêmico em relação à minissérie, que foi toda rodada em São Paulo, contra-riando o Governo de Goiás e até moradores e autoridades da época do incidente, que queriam que ela fosse rodada nos locais reais onde ocorreram os fatos. Mas acredito que, por questão de custo de pro-dução e por a produtora já ter estrutura montada na cidade paulista, não tenha realizado as filmagens em Goiânia.
 
Independente da polêmica, assista: é uma minissérie muito bem feita e impressionante.
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