FESTIVAL SUNDANCE: Comoção internacional com ‘The Territory’, filme sobre a Amazônia

Indígenas brasileiros defendem seus direitos contra invasores de seu território e o impacto dessa invasão é mostrado em um oportuno documentário ambiental

FESTIVAL SUNDANCE: Comoção internacional com ‘The Territory’, filme sobre a Amazônia

Foto: Divulgação

“The Territory” (Brasil/Dinamarca/EUA), de Alex Pritz, foi o destaque desse sábado (22) da Mostra Documentário Mundial do Festival de Sundance/2022, que está acontecendo no formato on-line.

 

O ótimo e oportuno filme de Pritz, coproduzido por Darren Aronofsky, tem uma ligação imediata com o Brasil, já que trata de uma questão importante relacionada com a Amazônia.

 

Essa história tem início com o povo indígena Uru-eu-wau-wau vendo sua população diminuir, sua cultura ameaçada com efeitos devastadores e crescente atmosfera de terror que atingem não apenas a comunidade nativa, mas um ecossistema mais amplo. Embora tivessem lhe prometido o domínio sobre seu próprio território da floresta tropical, eles enfrentam incursões ilegais de extração de madeira e mineração ambientalmente destrutivas e, mais recentemente, invasões de grilagem de terras.

 

Jovens líderes indígenas como Bitate e Ari, junto com sua mentora, a ativista ambiental Neidinha, arriscam suas próprias vidas para defender a floresta tropical.

 

Por outro lado, fazendeiros, garimpeiros e agricultores ávidos por estabelecer um assentamento continuam o derrubamento da floresta e nada é feito para impedir essa invasão.

 

Com acesso inédito e coproduzido pela comunidade Uru-eu-wau-wau, “The Territory” traz esse conflito à tona, o que foi detalhado na entrevista coletiva realizada no festival após a sessão, com o diretor, a ativista ambiental Neidinha, o participante do elenco Bitate e moderação de Sigrid Dyekjaer.

 

Trechos da entrevista

 

Como você soube dos problemas sofridos pelo povo Uru-Eu-Wau-Wau e começou a trabalhar em seu filme?

 

Alex Pritz - Eu vi o que estava acontecendo na administração de Donald Trump, nos Estados Unidos, com a ausência de proteção de áreas de risco ambiental e de significância cultural. Quando vi como a eleição brasileira de 2018 se desenrolava, eu percebi que um tempo difícil viria para as comunidades indígenas na Amazônia, caso Jair Bolsonaro vencesse. Então comecei a conversar com meu produtor Gabriel Uchida e com a ativista Neidinha sobre fazer um filme que abordasse esse assunto.

 

Você mencionou a importância do processo colaborativo para esse projeto, então fale por favor como o povo Uru-Eu-Wau-Wau entrou no processo.

 

Alex Pritz - Para mim foi entrar em um consenso entusiástico do povo com esse filme que estávamos fazendo. A gente precisava fazer mais do que apenas descrever nosso filme para conseguir que a comunidade ficasse entusiasmada com ele. Então tentamos mostrar como é o processo de filmagem, para eles entenderem o potencial de filmar.


Para a ativista ambiental Neidinha

 

Por que você decidiu fazer parte do filme e como foi sua primeira reunião com o Alex?

 

Neidinha - Decidimos participar do filme por acharmos que a voz da Amazônia precisava ser levada para o mundo pelo povo da Amazônia. E o Alex estava dando essa oportunidade pra gente, e estava aberto para nos ouvir do jeito que a gente gostaria de falar. Nós vimos ali uma oportunidade de sair da invisibilidade, e o mundo conhecer o que realmente estava acontecendo na Amazônia”.

 

Para Bitate – Uru-Eu-Wau-Wau

 

Como foi participar de “The Territory”?

 

Bitate - Trabalhar com o Alex foi uma oportunidade incrível para mostrarmos o trabalho que já vínhamos fazendo em nossas terras. Ele também nos deu a oportunidade de utilizar e experimentar com essas ferramentas cinematográficas, e isso mostrou que a gente pode fazer muito através da tecnologia das câmeras”.

 

Destaque internacional

 

Diversos veículos de comunicação mundiais destacaram a estreia de “The Territory”. A revista estadunidense “Variety” diz: “Impressionante e desesperador em igual medida, o documentário do diretor calouro Alex Pritz nos mergulha ao longo de três anos nas vidas, meios de subsistência e terra natal do povo indígena Uru-eu-wau-wau, cujo trecho supostamente protegido da floresta amazônica é atacado de todos os lados por fazendeiros, garimpeiros e colonos que não se importam em desmatar trechos de selva que não lhes pertencem”.

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