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CULTURA: Documentário ‘AmarElo’, de Emicida, é uma verdadeira aula de história

O filme traz as referências negras do Brasil

Revista Forum

16 de Dezembro de 2020 às 12:17

Atualizada em : 16 de Dezembro de 2020 às 12:20

Foto: Divulgação

Disponível na plataforma Netflix, o documentário AmarElo – É tudo pra ontem vale a pena ser visto por todos. Dirigido por Fred Ouro Preto, o filme vai muito além do memorável show do terceiro álbum do rapper Emicida no Theatro Municipal, traz a história da cultura negra do país.


O filme já começa relembrando as raízes do racismo estrutural do Brasil, última nação do Ocidente a abolir a escravidão, deixando os ex-escravos a própria sorte e depois estimulando a entrada de imigrantes europeus para o “branqueamento” da população. Mas os negros resistiram.



A filósofa Lélia Gonzalez, o ator e dramaturgo Abdias do Nascimento, a primeira atriz negra da TV brasileira, Ruth de Souza, o conjunto Oito Batutas, que tinha Pixinguinha na flauta, e o compositor Johnny Alf são só algumas das referências trazidas pelo filme.



Em 90 minutos, Emicida narra a história da cultura brasileira com as referências negras seja da poesia, da música ou do teatro, mas também traz a luta antirracista, com participação dos fundadores do Movimento Negro Unificado, que em 7 de julho de 1978 enfrentaram a ditadura militar e ocuparam as escadarias do Theatro Municipal da cidade de São Paulo.



O mesmo teatro que recebeu o show de Emicida, em novembro de 2019. “Muito importante trazer um concerto de rap para cá. Isso aqui é o resultado do sonho coletivo de muita gente. Essa conquista é o que anistia o espírito de quem veio antes de nós e sofreu”, disse na apresentação.



Em meio a cenas do show, de bastidores, de momentos com as filhas, a obra conta como foi a produção do álbum, com participações de Fernanda Montenegro, Zeca Pagodinho, Majur e Pablo Vittar.



Emicida também homenageia uma de suas principais referências, o baterista Wilson das Neves, que tocou com grandes nomes da música brasileira, morto em 2017. “Que maravilha poder entregar flores a quem você admira enquanto eles ainda podem sentir o cheiro delas”, disse o rapper.



E entre o show e o lançamento do documentário veio a pandemia. Como um filme que além de valorizar a cultura negra denuncia o racismo, a desigualdade social e preconceito no país, não podia faltar reflexão sobre esse momento. E como aponta Emicida, foi emblemático que a primeira morte por coronavírus no Brasil tenha sido uma empregada doméstica.

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