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STREAMING: Do campo ao business: filme explora ascensão do sertanejo

O documentário reconta linha do tempo que fez o ritmo se tornar um fenômeno mercadológico

Rondoniaovivo-Edição

14 de Maio de 2020 às 08:37

Foto: Divulgação

O filme documentário ‘Amor Sertanejo” é mais um pedida para quem gosta desse estilo musical. O documentário já está disponível nas principais plataformas de streaming

 

Em pouco mais de uma hora, o longa mostra o início do ritmo rural, exibe compositores, radialista e os próprios artistas, chegando ao boom mercadológico que o tornou o principal produto musical do Brasil. O documentário produzido pela Clube Filmes está disponível nas plataformas Now, iTunes, Google Play e Vivo Play.

 

O diretor Fabrício Bittar explica que a ideia do longa surgiu a partir da curiosidade de entender como o sertanejo se tornou um fenômeno no país. "Ultrapassou barreiras, né? Porque é uma música que começou lá no interior, mas hoje tem um alcance no Brasil inteiro. É realmente a música popular, a que reúne o maior número de pessoas em shows e movimenta a maior quantidade de dinheiro. Então a gente decidiu fazer esse documentário não só para abordar a história do sertanejo, mas muito mais para entender quais foram as características e os mecanismos que ajudaram o ritmo a chegar nesse patamar", conta. 

 

Foram quase três anos entre a concepção da ideia, pesquisa, criação do roteiro e as primeiras rodadas de gravação. Isso sem contar no obstáculo que foi conciliar as gravações com a agenda de artistas como Chitãozinho & Xororó, Fernando & Sorocaba, João Bosco & Vinícius, Luan Santana, Michel Teló, Maiara & Maraísa, Naiara Azevedo e Matheus & Kauan. Além de personagens marcantes, o documentário explora espaços simbólicos para o estilo como a Festa do Peão de Barretos, realizada em São Paulo desde 1956, passando por gravadoras de Goiânia e um grande festival em Belo Horizonte. 

 

Mercado

 

O interesse do empresariado em investir em artistas que davam retorno imediato com músicas de sucesso é tratado como uma faca de dois gumes pelo filme, que não fecha um diagnóstico sobre o mercado. Sem demonizar ou santificar, mostra que se por um lado o investimento massivo alavanca a carreira de cantores e transforma-os em astros, por outro, exclui talentos que sequer têm entrada em rádios, programas de televisão e festivais importantes para a divulgação do estilo. Tudo isso, na visão do diretor do longa, ajuda a segregar o ritmo dos críticos e formadores de opinião, como se o estilo fosse menor se comparado a outros ritmos brasileiros.

 

Inspiração

 

Ainda que forte, a história do surgimento do ritmo é apenas pincelada no documentário. O fenômeno verdadeiramente explorado é a ascensão do estilo musical no show business, principalmente no início dos anos 2000. À época, o estilo musical competia em termos de audiência nos programas de TV e de público em shows com o axé music, produto cultural baiano que chegou a ser fonte de inspiração para o Amor Sertanejo, através do documentário Axé - Canto do Povo de Um Lugar (2017). "A gente achou o documentário muito interessante e pensou que seria um formato legal para se ter como registro histórico. Em comparação aos ritmos, o que eu acho é que o sertanejo consegue se adaptar muito bem sem perder as características do sertanejo", explica, ao comparar a força dos estilos musicais. 

 

"A Claudia Leitte, a Ivete Sangalo, começaram a virar muito mais MPB e música romântica do que exatamente o axé. Porque o axé tinha uma coisa muito de alegria, de escutar na festa do que exatamente no teu carro. O sertanejo consegue ter música tanto para você curtir numa balada quanto para ouvir no carro e você chama de sertanejo. Você tem a sofrência e chama de sertanejo. Mistura com música eletrônica, mas é sertanejo. Mistura com funk e vira funknejo. Eu acho que o axé tinha uma coisa de ser tanto para o trio, para a alegria, que quando ele começou a ganhar esse espaço mais romântico perdeu a força de ser chamado de axé e passou a ser chamado de MPB. Eu acho que nesse sentido perdeu um pouco a força", compara. 

 

FONTE: TERRA - LUIZA LEÃO

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