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DIFÍCIL: Nota mínima vai ser exigida no FIES e vagas podem encolher

MEC anuncia que financiamento estudantil dependerá do desempenho de candidatos no Enem e que condições econômicas ameaçam cortes de quase 50% em vagas para mais carentes

ESTADO DE MINAS

28 de Dezembro de 2019 às 09:08

Foto: Divulgação

O Ministério da Educação (MEC) publicou no Diário Oficial da União de ontem resoluções com mudanças em regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e do Programa de Financiamento Estudantil (P-Fies). Entre as novas normas está a exigência de desempenho mínimo no Enem para que o estudante pleiteie o Fies e o fim da limitação de renda para que o aluno tenha acesso ao P-Fies.

 

O comitê gestor responsável pela área também aprovou a possibilidade de redução das vagas ofertadas pelo governo federal aos estudantes em condições socioeconômicas mais vulneráveis, que podem cair quase pela metade em 2021 e 2022.
 

 

Essas vagas poderão passar de 100 mil em 2020 para 54 mil nos dois anos seguintes, caso não haja alteração nos parâmetros econômicos. Segundo a pasta da Educação, os valores serão revistos a cada ano, “podendo voltar a 100 mil vagas caso haja alteração nessas variáveis ou aportes do MEC”.
 

 

Em relação ao desempenho para acesso ao Fies, será exigido do candidato nota igual ou superior a 400 pontos na redação do Enem. Até então era necessário apenas que o aluno não tirasse zero nesse teste. A resolução prevê também que a média aritmética das notas nas cinco provas do exame seja igual ou superior a 450 pontos.
 

 

Já o P-Fies deixa de ter limitações em função da renda do beneficiado. Antes, essa modalidade era voltada a estudantes cuja renda familiar bruta mensal por pessoa não excedesse cinco salários mínimos.

 

Mantido por fundos constitucionais e de desenvolvimentos e por bancos privados, o P-Fies deixa de considerar obrigatório que o candidato faça o Enem para participar do programa.
 

O Fies tem por objetivo facilitar, via financiamentos, o acesso de estudantes ao ensino superior oferecido por instituições privadas. Em 2018, o programa foi dividido em Fies Juro Zero, financiado pelo governo federal e voltado para alunos cuja renda familiar bruta mensal por pessoa não ultrapasse três salários mínimos; e P-Fies, modalidade na qual o financiamento é obtido junto a bancos privados, o que implica cobrança de juros.

 

Para o primeiro, as mudanças começam a valer a partir do primeiro semestre de 2021. Já as alterações do P-Fies, vigoram a partir do segundo semestre de 2020.
 

De acordo com o MEC, as mudanças, que já haviam sido anunciadas pelo Comitê Gestor do Fies no dia 20 de dezembro, foram feitas para garantir “a meritocracia como base para formar profissionais ainda mais qualificados”.
 

 

Inadimplência

 

Um dos principais motivos para as mudanças nas regras do Fies, de acordo com gestões anteriores do MEC, é a alta inadimplência no programa, casos de estudantes que contratam o financiamento e não quitam as dívidas.

 

O percentual de inadimplência chegou a atingir 50,1% de acordo com dados do MEC. Em 2016, o ônus fiscal do Fies foi de R$ 32 bilhões, valor 15 vezes superior ao custo apresentado em 2011.


 

O comitê gestor aprovou agora a possibilidade de cobrança judicial dos valores devidos. A judicialização poderá ser feita no caso dos contratos firmados até o segundo semestre de 2017 com dívida mínima de R$ 10 mil. O ajuizamento deverá ser feito após 360 dias de inadimplência na fase de amortização, ou seja, do pagamento em parcelas dos débitos.

 

Hoje, segundo a pasta, a cobrança de valores é feita no âmbito administrativo. Pela resolução aprovada pelo comitê, só continua a se enquadrar nesse campo quem deve menos de R$ 10 mil. O devedor e os fiadores poderão ser acionados. (Com informações da Agência Brasil)

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