O percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 80,4% em março de 2026, o maior nível da série histórica, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O avanço ocorre mesmo após o início da queda da taxa básica de juros pelo Banco Central do Brasil, indicando que o alívio financeiro ainda não chegou ao consumidor mostrando um cenário que se mostra ainda mais crítico em Rondônia.
No estado, mais de 637 mil pessoas estão endividadas, com forte concentração em Porto Velho. A capital apresenta um dos quadros mais graves: cerca de 230 mil consumidores negativados, e um nível de endividamento que já esteve 10,5% acima da média nacional, conforme dados da Serasa.
O principal vetor das dívidas é o crédito de curto prazo. O cartão de crédito aparece em 79% dos casos, seguido por carnês (35%), com obrigações concentradas em instituições financeiras. Esse perfil indica dependência de crédito rotativo, modalidade com juros elevados e alto risco de efeito bola de neve.
No cenário nacional, apesar do recorde de endividamento, a inadimplência se manteve em 29,6%, estável em relação a fevereiro, mas acima do registrado no mesmo período de 2025. Já o percentual de consumidores que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas caiu para 12,3%, sinalizando leve melhora na margem ainda que insuficiente para reverter o quadro geral.
A pressão é mais intensa sobre as famílias de menor renda. Mesmo com redução da inadimplência de 38,9% para 38,2%, esse grupo segue mais exposto à alta de preços, especialmente de combustíveis e energia, impactados pela valorização do petróleo no mercado internacional. O efeito se espalha pela cadeia logística, encarece produtos básicos e reduz o poder de compra.
A leitura estrutural do cenário aponta um descompasso: enquanto Rondônia mantém equilíbrio fiscal, com boa avaliação de gestão, a população enfrenta deterioração da saúde financeira. A combinação entre juros ainda elevados, inflação pressionada e uso recorrente de crédito mantém o nível de endividamento em trajetória de alta.
A tendência, segundo a CNC, é de que o alívio vindo da queda da Selic leve meses para alcançar o consumidor final. Até lá, o orçamento das famílias especialmente em regiões como Rondônia deve continuar pressionado, com risco de prolongamento do ciclo de endividamento elevado.