O Brasil iniciou 2026 com um novo recorde de inadimplência. Segundo o Mapa da Inadimplência divulgado pela Serasa Experian, o país registrou 81,3 milhões de brasileiros com o nome negativado em janeiro, o equivalente a 49,7% da população adulta.
O número representa aumento de 71 mil pessoas em relação a dezembro de 2025, consolidando 13 meses consecutivos de crescimento no total de inadimplentes.
Os dados mostram uma escalada consistente ao longo dos últimos anos. Entre 2021 e 2022, o país tinha cerca de 62 milhões de inadimplentes. Em 2023, o total subiu para 70 a 71 milhões. Em 2024, os números chegaram a 72 a 73 milhões. Já em 2025, o volume avançou para 81,2 milhões em dezembro, alcançando 81,3 milhões em janeiro de 2026 — cerca de 30% acima da base registrada no período pós-pandemia.
Além do aumento no número de pessoas negativadas, o levantamento aponta um volume elevado de dívidas acumuladas. Atualmente, existem 327 milhões de débitos ativos, somando aproximadamente R$ 524 bilhões em estoque.
Especialistas apontam que o cenário é resultado de um conjunto de fatores estruturais, como juros elevados, renda pressionada e endividamento acumulado após a pandemia. Esse quadro cria um ciclo que dificulta a recuperação financeira de parte da população.
O avanço da inadimplência tende a impactar diretamente a economia. Com mais consumidores com restrições de crédito, o consumo desacelera, enquanto instituições financeiras e o varejo ampliam critérios para concessão de crédito.
Programas de renegociação, como o Feirão Limpa Nome, têm ajudado parte dos consumidores a regularizar dívidas no curto prazo. No entanto, analistas avaliam que, sem crescimento consistente da renda real, a tendência é de que o problema da inadimplência continue pressionando o sistema de crédito e o consumo no país.