O câncer colorretal, tradicionalmente associado a pessoas mais velhas, tem avançado de forma preocupante entre adultos jovens. Nos Estados Unidos, já é a neoplasia que mais mata pessoas com menos de 50 anos. Casos recentes chamaram atenção para essa mudança no perfil da doença, como as mortes dos atores James Van Der Beek, aos 48 anos, e Chadwick Boseman, aos 43, ambos, vítimas do câncer de intestino.
O que antes era raro em pessoas na faixa dos 20, 30 e 40 anos agora aparece com frequência crescente. Segundo o oncologista John Marshall, do Centro Oncológico Lombardi da Universidade de Georgetown, no início de sua carreira praticamente não havia pacientes jovens com esse diagnóstico. Hoje, a realidade é diferente.
A tendência foi confirmada em estudo publicado em 2025 na The Lancet Oncology. A pesquisa analisou dados de 50 países e identificou aumento de casos de início precoce em 27 deles. Em 20 nações, o crescimento ocorreu exclusivamente entre os mais jovens ou foi mais acelerado nesse grupo do que entre adultos mais velhos.
Especialistas destacam que o diagnóstico precoce é decisivo. Quando o tumor é identificado no início, a taxa de sobrevivência em cinco anos pode variar entre 80% e 90%, com possibilidade de remoção de pólipos pré-cancerígenos. Já em fases avançadas, quando há metástase, a sobrevivência cai para cerca de 10% a 15%.
Ainda não há consenso científico sobre as causas do aumento entre jovens. Muitos pacientes não apresentam fatores de risco clássicos. Pesquisadores apontam hipóteses como alterações no microbioma intestinal, mudanças alimentares e estilo de vida, mas os estudos continuam em andamento.