No Brasil, mais de 30% da população ainda vive sem acesso simultâneo à água encanada e esgoto, segundo dados do IBGE. Esse déficit afeta principalmente comunidades rurais, indígenas, quilombolas e regiões isoladas, onde a infraestrutura tradicional de saneamento é cara, complexa e muitas vezes inviável. Nesse cenário, uma inovação criada por Danilo Camargo, engenheiro ambiental e civil com mestrado pela USP, pode representar uma virada histórica na forma como o país trata o esgoto.
Danilo desenvolveu a MicroETE Aeko, uma microestação de tratamento de esgoto que funciona sem energia elétrica, operando apenas com a força da gravidade. O sistema é compacto, de fácil instalação, exige pouca manutenção e atinge até 95% de eficiência no tratamento, contemplando as três etapas exigidas pela nova norma técnica brasileira NBR 17076/2024: tratamento primário, secundário e terciário. Isso significa que, mesmo em soluções individuais, como residências, escolas ou pequenos empreendimentos, o esgoto pode ser tratado de forma completa e segura.
A tecnologia foi desenvolvida com base em pesquisa aplicada na USP e já passou por testes laboratoriais. Foi homologada por empresas como Sabesp e Copasa, e está em processo de validação pela Sanepar. Além de atender às exigências técnicas, a MicroETE se destaca pelo baixo custo e pela versatilidade: pode ser usada em casas, hotéis, canteiros de obras, eventos temporários e até em áreas de preservação ambiental.