BOLETIM CORONAVÍRUS - CLIQUE AQUI E FIQUE ATUALIZADO

MUDANÇA: Rede Globo não vai mais transmitir a Fórmula 1 a partir do ano que vem

As causas vão além de somente incluir a parte financeira e incluem até mesmo propostas da Fórmula 1 para diversificar a transmissão

PAINEL POLÍTICO

28 de Agosto de 2020 às 14:10

Foto: Divulgação

 

PAINEL POLÍTICO - A decisão da Rede Globo de comunicar patrocinadores de que não vai renovar o contrato para exibir a Fórmula 1 no ano que vem sela uma grande mudança na história da categoria com o Brasil. Presente na TV aberta desde os anos 1970, a competição agora vive um impasse sobre como e onde será transmitida para o público brasileiro a partir de 2021. Pelo menos até o fim deste ano a presença da corrida na grade da emissora está assegurada. 
 
O Estadão explica abaixo alguns dos motivos que pesaram para a falta de acordo entre a Rede Globo e os donos da categoria, o grupo americano Liberty Media. As causas vão além de somente incluir a parte financeira e incluem até mesmo propostas da Fórmula 1 para diversificar a transmissão. Confira:
 
Negociação frustrada
 
O acordo entre as partes não evoluiu por questões financeiras principalmente. Em relação ao último contrato, feito em 2015, a Rede Globo sinalizou pagar um valor inferior nesta nova negociação segundo apurou o Estadão. A categoria não quis ceder. Uma reunião no fim do ano passado entre diretores das duas partes envolvidas já havia deixado para todos os envolvidos a sensação de que o desfecho não seria positivo. 
 
Dificuldades econômicas
 
O cenário de crise econômica provocado pela pandemia do novo coronavírus tem afetado tanto o mercado de patrocínio como também a própria emissora carioca. A Globo recentemente obteve uma liminar na Justiça para adiar o pagamento de R$ 460 milhões para a Fifa pelos direitos de transmissão de Copa do Mundo e também comunicou a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) que pretende rescindir o acordo referente à Copa Libertadores. Por isso, a dificuldade de negociar com a Fórmula 1 foi um desdobramento natural de todo esse contexto. 
 
Falta de brasileiros
 
Apesar de o Brasil ter uma das maiores audiências mundiais na Fórmula 1, a Rede Globo avaliou que a possível ausência de pilotos brasileiros pesa para uma queda de interesse pelo produto nos próximos anos. Assim como a China, o País é um dos poucos do mundo a ter transmissão das provas em TV aberta. Ainda assim, a audiência das provas transmitida neste ano ficou ao redor dos dez pontos de Ibope para a Grande São Paulo. Desde a saída de Felipe Massa, no fim de 2017, o Brasil não tem representantes no grid. 
 
Relação com os novos donos
 
Os novos donos da Fórmula 1, o grupo americano Liberty Media, tem com a Globo uma relação diferente do que era até o fim de 2016 com o antigo chefe da categoria, Bernie Ecclestone. O dirigente inglês sempre manteve boa relação com a emissora e foi o responsável por assinar, inclusive, o contrato de transmissão ainda em vigor. Nas conversas entre Globo e Liberty Media foram marcadas por algumas divergências não só sobre valores, como também a respeito de formatos nas transmissões.
 
Tratamento ao produto
 
Um dos principais temas que desagradava o Liberty Media na relação com a Rede Globo era o pouco espaço da Fórmula 1 na programação da emissora. Mesmo com transmissão das provas na TV aberta e com grande alcance de público para o Brasil, os dirigentes da categoria entendiam que o evento deveria ser mais valorizado. Entre os motivos disso estão a escolha da Globo em exibir os treinos no canal fechado SporTV assim como só iniciar a transmissão das corridas, aos domingos, momentos antes da largada. 
 
Pré e o pós-corrida
 
Os momentos pré-largada são considerados de grande importância estratégica para o Liberty Media pela exposição dos patrocinadores e pela grande atenção do público nos momentos de expectativa antes da corrida. Por isso, anos atrás os donos da Fórmula 1 até fizeram uma mudança no horário do início de todas as etapas. Em vez de iniciarem no horário local de cada país às 14h ou 15h, por exemplo, o início foi adiado em dez minutos. Essa mudança teve como objetivo facilitar a acomodação do evento nas grades de programação de todas as TVs, para que pudessem iniciar a exibição das imagens mais cedo. 
 
No entanto, a Rede Globo costuma abrir as transmissões das provas somente poucos menos antes da largada. No fim do GP, a Globo não tem exibido ao vivo ao pódio. No entender da categoria, a cerimônia de premiação é importantíssima para valorizar os patrocinadores de cada um dos GPs, já que as principais marcas ficam expostas no painel montado atrás dos pilotos. 
 
Novos modelos de transmissão
 
Como no acordo atual entre Fórmula 1 e Rede Globo a emissora tem total controle sobre a transmissão para o Brasil, o Liberty Media queria alinhar o novo acordo junto com algumas mudanças. A principal delas é possibilitar ao público brasileiro a partir de 2021 o acesso integral à plataforma de streaming da própria categoria. Além das corridas na íntegra, o material terá entrevistas exclusivas e imagens de mais câmeras onboard. A Globo se mostrava resistente à proposta da entrada da plataforma no mercado brasileiro por considerar que se tratava de um concorrente à exibição na TV aberta. 
 
E o GP do Brasil?
 
A continuidade do País no calendário da categoria não está garantida para o próximo ano. São Paulo não tem contrato para receber a Fórmula 1 em 2021 e tenta renovar o acordo. O Rio de Janeiro, por sua vez, procura viabilizar a construção de um autódromo a tempo. No entanto, segundo apurou o Estadão, esse impasse não é considerado no momento uma causa que interferiu na falta de renovação entre Globo e Liberty Media. 
 
“Certamente a FOM (Formula One Management) está analisando outras opções para a transmissão, pois deixar o importante mercado brasileiro de fora da cobertura do Mundial de Fórmula 1 não é uma opção. De qualquer forma a questão do GP Brasil anda de forma independente da questão da transmissão”, disse ao Estadão o promotor do GP do Brasil, Tamas Rohonyi.
 
 
Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS