BIOCOMBUSTÍVEL: Boas perspectiva de mercado para o uso do milho

BIOCOMBUSTÍVEL: Boas perspectiva de mercado para o uso do milho

Foto: Divulgação

Conhecido por sua pluralidade alimentar, o grão passa a ser estratégico na indústria de biocombustível. No Brasil, a produção de etanol de milho deve crescer dos atuais 2,5 bilhões de litros na safra 2020/21, para 8 bilhões em 2027/28. A alta de 200% vem junto ao aumento da demanda internacional pela commodity. Um bom problema para o Brasil resolver.

A medida para conter o aquecimento global, cresce a oportunidade do seu uso como matéria-prima para biocombustíveis. As projeções apontam para uma alta de 200% até 2027/28, com uma produção de cerca de 8 bilhões de litros de etanol de milho contra os atuais 2,5 bilhões de litros previstos para a safra 20/21, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

“A diminuição da oferta de etanol de cana cria oportunidade para o etanol de milho. Além disso, o grão possibilita a produção contínua de combustível, já que podemos armazená-lo, o que não acontece com a cana”, afirmou Guilherme Nolasco, presidente da entidade.

 
No Brasil, o etanol, antes produzido exclusivamente com cana, passou a dividir o holofote com o milho desde 2012 quando a Usimat construiu a primeira planta flex – que alternava as duas commodities a cada semestre – no Mato Grosso.
 
Naquele momento, o preço atrativo – com saca cotada a R$ 7,00 – e a matéria-prima em abundância no estado o tornaram boa alternativa.
 
Além disso, o uso do grão era capaz de atender a ociosidade das destilarias na entressafra e ajudar no escoamento dos excedentes de produção do milho. Como resultado, evitaria a pressão dos preços para baixo e reduziria o custo com logística. Na safra seguinte, 2013/14, o Brasil produziu 34 milhões de litros do líquido verde.
 
Apesar do cenário positivo para o biocombustível, o aumento da demanda internacional pela commodity, principalmente vinda da China, fez com que o preço da saca valorizasse, ultrapassando R$ 70,00. O valor poderia inviabilizar o negócio, mas como os subprodutos do etanol – entre eles o óleo de milho, e principalmente o farelo de milho seco (DDG) e o farelo de milho úmido (WDG) usados na ração animal –, acompanharam a alta, o preço da saca foi suavizado.
 
“Com a venda dos subprodutos, as usinas chegam a cobrir 50% dos custos, uma vez que cerca de 15% do faturamento com produtos do milho vem do DDG”, disse Milas Evangelista, consultor de biocombustível da FGV Energia.
 
Atualmente o País possui 17 usinas em operação, sendo sete full, com produção voltada apenas para o etanol do grão; cinco flex e cinco flex/full. Hoje, a produção do combustível consome apenas 10% do que é produzido no País, que ultrapassa 100 milhões de toneladas.
 
Um possível aumento não resultaria no desabastecimento do mercado interno. “A nossa projeção acompanha o aumento da produção do milho, e mesmo que nós utilizemos 30% do que sai do campo, nós devolvemos parte como farelo”, disse Nolasco.
 
Antevendo perspectivas favoráveis, em 2018 um grupo de 23 produtores do Mato Grosso se uniu para botar de pé uma nova usina voltada à produção de etanol.
 
Da união, surgiu a ALD Bioenergia, localizada em Nova Marilândia. “Eles enxergaram que, com a produção de etanol de milho e do DDG, poderiam agregar valor e ter alternativas rentáveis de comercialização”, disse Marco Orozimbo Rosas, diretor executivo da companhia.
 
Hoje, a usina tem capacidade para moagem de 750 toneladas por dia, totalizando 260 mil toneladas por ano, gerando 115 milhões de litros de etanol/ano e 90 mil toneladas de DDG, com pretensão de dobrar de tamanho nos próximos anos. Com o aumento progressivo da oferta de etanol, o preço ao consumidor final também poderá oscilar menos, já que durante o período de entressafra de cana os preços sobem automaticamente.
 
 
“A diminuição da oferta de etanol de cana cria oportunidade para o etanol de milho. Além disso, o grão possibilita a produção contínua de combustível, já que podemos armazená-lo” Guilherme Nolasco, Unem  EXPORTAÇÃO Do total de etanol brasileiro na safra 2019/20 (35,7 bilhões de litros), 2,7 bilhões foram exportados, movimentando US$ 1,2 bilhão, ante 1,9 bilhão de litros em 2019.
 
Mesmo com a pandemia, o volume foi o maior em sete anos, só perdendo para 2013, quando o País embarcou 2,9 bilhões de litros, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia. Os Estados Unidos, maiores produtores do combustível, importaram 970,4 milhões de litros, seguidos pela Coreia do Sul, com 949,5 milhões de litros.
 
Para animar ainda mais o setor, no começo deste ano o governo indiano demonstrou interesse em antecipar o aumento da mistura do etanol na gasolina em 20% para 2025, antes previsto para 2030.
 
Assim como o governo Biden já sinalizou a intenção de aumentar a oferta de gasolina com uma proporção de 15% de etanol. Ambos poderão vir a beneficiar o segundo maior produtor do biocombustível do mundo, o Brasil.
 
“A demanda interna ainda é muito grande, mas existe uma nova agenda global apta ao uso de biocombustíveis”, disse Nolasco. De acordo com ele, já há um trabalho sendo feito com os associados para ampliar a exportação, entre eles o de certificação dos produtores no programa de redução de carbono na Califórnia, nos Estados Unidos.
 
Pelo andar da carruagem, os entusiastas do grão não erraram ao apostar que o milho será tão relevante na pauta do agro brasileiro quanto a soja é hoje.
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